EUA volta a ameaçar o Irã

Resultado de imagem para irã refinaria fotosProvavelmente o Irã será a próxima potência do Oriente Médio. E com condições de por as cartas na mesa para se contrapor aos interesses dos Estados Unidos

Tão logo  o presidente Donald Trump tomou posse em Janeiro de 2017, os EUA bombardearam 3 países em 3 meses consecutivos: Iêmen, Afeganistão e a Siria.    O discurso utilizado em campanha a respeito do isolamento em relação ao mundo caiu por terra, uma vez que  o modelo de crescimento perseguido pelos EUA está inexorávelmente ligado ao imperialismo, se entendido como uma forma de dominação na política, no militarismo e na economia.  Em visita À Arábia Saudita para fechar uma venda de armamentos em 110 bilhões de dólares, Trump flertou com a idéia de desfazer o acordo nuclear iraniano que foi selado na gestão de Barak Obama. O acordo foi mediado por França ,Alemanha e Inglaterra e que permitiria ao Irã desenvolver a tecnologia de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e científicos.

No entanto, Trump ressuscita a retórica de ameaça nuclear promovida pelo regime xiita ,alegando que o acordo precisa ser desfeito para a segurança do mundo. Em visita a Israel, o presidente americano afirmou que o regime sionista e a Arábia Saudita devem  se unir para não permitir que o Irã obtenha armas nucleares.   O que não é falado nos meios de comunicação de massa   é que o regime saudita é inimigo dos iranianos, por uma série de motivos. Recentemente, o Irã foi vítima de um atendado terrorista que foi em seguida reivindicado pelo Estado Islâmico, grupo terrorista treinado  e financiado pelos EUA, Arábia saudita e demais monarquias do Golfo Pérsico. A frente armada de oposição ao regime de Bashar Al Assad, Al Nusra, quando classificada pela mídia   como uma ”milicia rebelde”, recebeu treinamento, dinheiro e armas dos Estados Unidos para tentar derrubar o presidente Sírio. A posteriori, verificou-se que o grupo armado na Síria operava ao lado da Al-Qaeda, que se desmembrou no ISIS logo após seu crescimento no Iraque e na Síria. Esta informação pode ser verificada no livro do Jornalista independente inglês, Patrick Cockburn, no livro ” A origem do Estado Islâmico ” , ou em artigos da rede BBC.

Sob o pretexto de que o Irã seria uma ameça ao Oriente Médio caso obtenha uma arma nuclear, Donald Trump vem mexendo o tabuleiro da região para tentar enfraquecer o regime iraniano e equipar com armas sofisticadas o exército saudita é parte desta movimentação. Sem qualquer motivo justificável, Trump impõs novas sanções ao país, uma atitude contra-producente, já que o Irã aceitou as condições acordadas do acordo nuclear. Só que desta vez o efeito será menos danoso , dada a aproximação com a União Européia, a principal parceira comercial dos iranianos atualmente. Empresas como a TOTAL e Alstom, ambas francesas, tem selado contratos de prospecção de petróleo no país. Apesar da França ser membro da OTAN, sua aproximação com o Irã reflete o pragmatismo da política externa do atual presidente, Emanuel Macron . Se até um membro da OTAN não vê problema no programa nuclear iraniano, qual seria o interesse dos EUA em obstruir o país persa?

Desde a  gestão do então presidente Mahmmoud Ahmadnejad,  em 2009, O Banco Central iraniano  tem gradativamente substituído suas reservas internacionais de Dólar para o Euro e sua composição tem mudado na medida em que o país passou a aceitar o EURO como moeda de troca para vender petróleo. Este pode ser provavelmente o principal motivo pelo qual os EUA querem a todo custo enfraquecer o Irã, pois o aumento da demanda pelo Euro iria de imediato desvalorizar o Dólar. Se isso ocorrer, os EUA terão dificuldades de captar recursos para financiar a sua dívida pública, que está em quase 20 trilhões de dólares. Mais que isso, isso poderia incentivar uma corrida pelo Euro e consequentemente colapsar o dólar, que desde Bretton Woods, é utilizada como moeda de circulação internacional.   Cabe lembar que os Estados Unidos, em 2003 , invadiu o Iraque pela mesma razão: evitar a desvalorização do Dólar frente ao Euro. Em Novembro de 2000, Saddam Hussein afirmara que aceitaria o Euro para a venda de seu petróleo. O Euro, neste exato momento, se valorizou 20% frente ao dólar e provocou uma fuga de capitais para fundos de investimentos com reservas em moeda européia. A partir deste momento, o  então presidente George W. Bush empreendeu uma campanha feroz mundo afora para classificar o regime de Saddam Hussein como uma ameça ao mundo por supostamente possuir  armas de destruição em massa.  Após a invasão no Iraque, verificou-se de que Saddam Hussein não possuíra armas de destruição em massa. Como dizia Marx, a história acontece como farsa e se repete como tragédia.

http://money.cnn.com/2016/02/09/investing/iran-euro-us-dollar/index.html

http://www.reuters.com/article/us-oil-iran-exclusive/exclusive-iran-wants-euro-payment-for-new-and-outstanding-oil-sales-source-idUSKCN0VE21S

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LULA JÁ FOI MAIS HABILIDOSO

 

O ex-presidente já teve dias melhores e mais relevância em seus pronunciamentos.
Comparar político ladrão com servidor público ou quem se mata para passar em um vestibular é de um despropósito que ofende a todos os brasileiros que correm atrás do pão de cada dia      

O ex-presidente Lula, em aparição pública ao lado de seus aliados, afirmou que o político seria a profissão mais honesta do mundo, ainda que roubasse muito. Lula já foi mais habilidoso no passado, ao menos do ponto de vista retórico. O político seria idôneo uma vez que, ao sair às ruas, teria que pedir voto aos eleitores, se sujeitando às piores críticas e dando a cara para bater.
Porém, políticos costumam andar ao ar livre uma vez a cada 4 anos, nas vésperas das eleições. Eleitos, passam a adotar uma postura anti-popular, não se misturando aos cidadãos comuns. Portanto, não é válido o argumento de Lula a respeito das lisura dos políticos de carreira. Aliás, Lula está desvinculado da realidade em sua última fala pública a respeito dos políticos que assaltam os recursos públicos.
A maior parte do povo brasileiro não vê com bons olhos autoridades públicas que utilizam o Estado para a obtenção de fins privados, a despeito das necessidades sociais.
Não há possibilidade de qualquer cidadão comum entender os critérios morais de Lula a respeito da honestidade dos políticos. Além de sua afirmação ser um tanto vaga, não diferenciando os políticos honestos dos ladrões, Lula comete a imbecilidade de comparar políticos com servidores públicos, que estudam para exercerem suas respectivas funções. Sua fala chega a ser uma contradição com sua trajetória de militante de esquerda, cujo ideal promove a defesa de um Estado provedor de serviços públicos- que são executados por servidores públicos, obviamente.
É provável que a falta de habilidade de Lula em se defender daqueles que o acusam de corrupção seja proveniente da situação frágil que seu partido vem atravessando. Porém, não convém acusá-lo disto ou daquilo na ausência de provas. Cabe ás autoridades devidamente constituídas o dever e investigar , acusar o investigado mediante à existência de provas que justifiquem a acusação e fazer o que deve ser feito. No entanto, se Lula tentou convencer a nação de sua lisura e autoridade moral, não conseguiu. O mito do herói incorruptível não convence a mais ninguem.

2 pesos e 2 medidas no Congresso Nacional

 

Porque o deputado Glauber Braga (PSOL) , ao citar o guerrilheiro Carlos Mariguela  na votação do impeachment da presidente Dilma, não gerou revolta e quando o deputado Jair Bolsonaro citou a memória e  o nome do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra gerou protestos e polêmica?  Ambos cometeram crimes no passado. Mariguela era de um grupo armado chamado AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL, que atuou contra o Regime militar , cometeu atentados terroristas, foi responsável pelo sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick e assassinou pessoas inocentes. Já o Coronel Brilhante Ustra foi um notório torturador, segundo as vítimas do tempos de repressão  e aqueles que disseram ter sido torturados. A presidente Dilma Roussef, na época integrante do grupo armado Var-Palmares, confessou tempos atrás ter sido torturada pelo Brilhante Ustra. No entanto, os que dizem ter combatido o Regime Militar costumam ser bem visto  e ter boa praça; e os que defendem o Regime, são execrados em praça pública.

A resposta  para tal indagação está na narrativa que a Esquerda construiu após a  redemocratização. Muitos políticos de esquerda que no passado foram guerrilheiros da luta armada contaram a versão da história ao seu próprio sabor quando chegaram ao poder. Muitos, dentre os quais José Dirceu e José Genuíno, que tiveram treinamento em Cuba, tinham pretensões revolucionárias nos seus tempos de mocidade. Isso significa que se os movimentos ditos revolucionários tomassem o poder antes dos militares, poderiam instaurar uma ditadura comunista nos moldes cubanos. Era uma possibilidade eminente na época, dada as ligações que os movimentos brasileiros tinham com a URSS, Cuba e afins. Porém, no pleno Estado democrático de Direito , o discurso por eles proferido remete a valores que nunca foram perseguidos por muito militantes de esquerda. Afirmam em alto e bom som que lutaram contra a Ditadura militar para restabelecer a democracia e pelo resgate da liberdade civil.  E o discurso convenceu a muitos, principalmente a juventude universitária que não viveu os tempos do Regime Militar. Não por coincidência, as universidades brasileiras  ( principalmente as públicas) são quase que praticamente  dominadas por acadêmicos e intelectuais da geração do PT, que ajudaram a disseminar a versão oficial dita por eles.

Ainda que o Socialismo não tenha identificação de fato com a liberdade individual e com a democracia, o passado é contado de tal modo que os militares são vistos como vilões e os guerrilheiros da esquerda armada são vistos até hoje como  os mocinhos, os heróis. Pode ser uma simplificação grosseira do passado, mas é uma versão dos fatos que é sustentada nos currículos escolares e que ajuda a consolidar no imaginário popular uma versão única da história, o que explica em boa medida as diferenças de reação frente às declarações que ambos os deputados da Câmara proferiram no dia da votação do impeachment.

Artistas e intelectuais que foram perseguidos, torturados por militares e exilados do país tambem são um braço importante no campo da cultura para ajudar a reforçar a versão do passado que é mais conveniente aos partidos de esquerda. Com isso , não devemos pensar que as torturas e os assassinatos cometidos pelos militares sejam coisas que possam ser defendidas do ponto de vista moral, mas longe de acharmos que aqueles que no passado combateram o Regime Militar estiveram comprometidos com o restabelecimento da democracia. Até porque indivíduos imbuídos da mentalidade revolucionária são treinados para abrir mão e qualquer valor moral ou respeito pela vida humana em prol da realização das pretensões revolucionárias. E isso implica em mentir , esconder fatos, contar o passado que reforce um posicionamento político tomar o poder a qualquer custo.

Em entrevista ao jornalista Bruno Torturra, Eduardo Jorge ( PV) dissera que o movimento de esquerda do qual fazia parte perseguia a ditadura do proletariado

Não costumamos ver camisas estampadas com fotos dos presidentes militares mundo afora. Mas é muito comum ver camisetas que estampam fotos do guerrilheiro e assassino Che Guevarra . O deputado Jean Willis (PSOL) já pousou para a capa da revista Rolling Stone fantasiado de Che Guevarra. O mais engraçado e cômico de tudo isso é que o deputado se declara homossexual e militante da causa GLBT, e o revolucionário argentino odiava gays, negros e rockeiros. Isso mesmo.


Onde está a coerência da esquerda quando usa como ícone  uma
das figuras mais sanguinárias do século passado?

A figura de Che Guevarra estimula no imaginário dos jovens uma inspiração revolucionária em nome da igualdade, da liberdade e da tolerância, valores que o próprio Che jamais perseguira em vida. Mesmo assim, é um instrumento cultural que o coloca na história como um herói , da mesma forma que muitos militantes da esquerda armada, cuja boa parte cometeu crimes, assassinou pessoas inocentes ( vide o caso da explosão de uma bomba no Aeroporto dos Guararapes, em Recife).  O efeito da imagem é de que quem usa a camisa de Che Guevarra acha mesmo que luta por tais ideais

Enfim, a diferença entre os discursos do Glauber Braga e Jair Bolsonaro sobre as memórias do passado se deve à associação  que as figuras mencionadas do passado com a versão do passado que vingou.

 

obs: manual do guerrilheiro urbano , de Carlos Mariguela, para os curiosos.
file:///C:/Users/cesar/Downloads/Mini-Manual%20do%20Guerrilheiro%20Urb%20-%20Carlos%20Marighella.pdf

O complô das operadoras de telefonia contra o consumidor

limite de internet
As operadoras de telefonia querem fornecer o serviço de internet sob a forma de pacote limitado em banda larga fixa, reduzindo o tempo de utilização na rede, sob o risco de o consumidor ter o acesso cortado caso atinja o limite da franquia
    A economia brasileira é cheia de vícios  que atentam contra a livre iniciativa e a concorrência saudável entre os agentes que ofertam os produtos e serviços essenciais à demanda, seja porque existem poucas empresas em vários segmentos do mercado ou pelo fato de o Estado criar cláusulas de barreira  à entrada de novos concorrentes em um determinado setor. É o caso das operadoras de telecomunicação, que são autorizadas a fornecer o serviço mediante uma concessão pública, fato que beneficia as 4 operadores que atuam no mercado,OI, VIVO, TIM e CLARO  e deixa de fora outras empresas que gostariam de competir com as existentes na possibilidade de oferecer o mesmo serviço por um preço menor. As 4 operadoras- e não é de agora- são acusadas de fazerem LOBBY na ANATEL para impedir o surgimento de novos concorrentes no setor ou de criarem regras a seu favor, aumentando a sua lucratividade.

    Recentemente, as operadoras de celular estão revoltadas com o whatssap porque o aplicativo de mensagens derrubou as suas receitas vindas do pacote de dados, pois falando pelo whatssap a comunicação fica mais barata, enquanto que uma simples mensagem custa, em média, 0,50 centavos. Muito caro se comparado com os preços praticados em outros países. Após serem derrotadas na Justiça na luta contra o aplicativo, chegaram à conclusão de que  ao interromperem seu acesso, os clientes perderiam o interesse nos celulares modernos, fazendo as vendas dos aparelhos despencarem. O whatssap, diferente do que as empresas dominantes no setor pensam, não é resultado de complô ou ”pirataria”. Nada mais é do que um meio mais barato que alguem desenvolveu para satisfazer as necessidades dos consumidores.

Agora o cartel das tele-operadoras levantaram outra polêmica: para tentar compensar as perdas dos lucros devido à diminuição da demanda por serviços de dados, as operadoras de telefonia celular, com o respaldo da ANATEL, querem reduzir  o limite de acesso à internet em forma de  pacote contratado, o que significa que se o consumidor atingir o limite da franquia, o sinal de internet poderá ser cortado, o que é considerado ilegal pelo código de defesa do consumidor e pelo Marco Civil da Internet. As operadoras querem vender o acesso de internet como se vendessem serviço de mensagem, no qual o preço das mensagens é proporcional à quantidade de caracteres digitados.

     Segundo um estudo feito pelo jornal Folha de São Paulo, um filme visto pela NETFLIX consome cerca de 3 GB em HD , enquanto que os planos da VIVO abrangem  quantidades entre 10GB e 130GB. Os clientes que utilizam wifi caseiro perderiam muito.E no modelo de fornecimento que as operadoras querem impor, reduzirá muito o acesso à internet.

      A desculpa para a mudança no fornecimento do serviço se deve a ”questões técnicas”, mas na verdade,  se qualquer usuário usar continuamente a internet ao longo do dia útil a tendência é que os clientes paguem mais pelo acesso por minuto. Ou seja, as operadoras, por meio de uma regulação estatal, querem fornecer o mesmo serviço por um preço mais caro, forçando os clientes a trocarem o pacote atual por outro com velocidade de conexão mais rápida, porém, mais cara.

    O cartel composto por OI,VIVO,TIM E CLARO não tem a menor preocupação de oferecer um serviço melhor e mais barato, não reconhece as vantagens da inovação, porém fazem o que estiver ao seu alcance, sob o amparo da ANATEL,  para viver às custas do mercado cativo que não tem a oportunidade de escolher uma empresa que atenda às suas necessidades. Só o livre mercado poderá diminuir o poder do cartel das operadoras, pois quando existem várias empresas em um mesmo segmento, dificilmente alguem poderá determinar  o preço que será cobrado pelo serviço prestado.

A polêmica em torno de Marco Aurélio Mello

 

Nesta semana, o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) inciasse a instalação da comissão de Impeachment do vice-presidente Michel Temer, atendendo à solicitação do advogado Mariel Marley Marra, para encaminhar seu pedido para apreciação. O pedido do advogado é baseado no fato de que o vice cometeu os mesmos delitos da presidente Dilma na sua ausência, ao decretar despesas fora do orçamento, sem o aval do Congresso, o que implicou em desrespeito À lei de Responsabilidade Fiscal.  Marco Aurélio Mello entendeu que o presidente da Câmara cometeu desvio de função ao não apreciar  com isenção o pedido de impeachment contra Michel Temer , devendo apenar ter avaliado previamente a formalidade do pedido do advogado e analisar se houve embasamento legal, e não ter engavetado.

Parte da imprensa noticiou o fato como uma interferência do Supremo nos assuntos da Câmara, porém não é de agora que o ministro tem chateado alguns jornalistas. Ao ter se posicionado contra a publicidade das escutas entre Dilma e Lula , determinado pelo  Juiz Sergio Moro , fora acusado de ser ministro ”chapa-branca” ou ”vendido”. O jornalista José Neumanne Pinto  pôs em cheque a credibilidade da Suprema Corte ao não gostar da crítica que Marco Aurélio fez do Sergio Moro. Indignado, o jornalista no programa Roda Viva prestou uma seção de desabafo e revolta perante um ministro que analisa a aplicação das leis distante do alcance do anti-petismo.

tuite mello

O jornalista Felipe Moura Brasil é mais um daqueles que não  se contentou com o posicionamento e com  a lisura do ministro do STF por simplesmente não ir na direção da boiada

O ministro acatou o pedido de Marley , mas determinou que outra comissão seja instalada, enquanto que o pedido de impeachment de Dilma Rousseff corre a todo vapor.

A despeito das leis e suas interpretações sobre o limite de atuação entre os poderes da República, a bem da verdade é que uma parcela expressiva da população e setores da imprensa, ambos embebidos pelo anti-petismo, pressionam pela saída de Dilma sem levar em conta as condições reais para que sua queda seja consumada. Em um Estado democrático de Direito, a lei do ”vale-tudo” não pode imperar, as os mecanismos previamente garantidos em lei para remover a presidente deve seguir os trâmites legais.
Atacar uma autoridade em função de sua interpretação dos fatos só alimenta a divisão entre os que preservam a lei e a ordem daqueles que querem o PT fora do poder a qualquer custo. Não há nenhum indício de Marco Aurélio Mello jogar em favor dos petistas. Pelo contrário. No programa Roda Vida, elogiou a Lava- Jato, a Polícia Federal e demonstrou satisfação pelo fato de que as instituições estão funcionando.  Porém, não conseguiu agradar a todos. E nem deve.

A molecada do Movimento Brasil Livre, em busca de fama e notoriedade, protolocou um pedido de impeachment contra o ministro alegando que ele desrespeitou a autonomia do poder legislativo .Porém, a Justiça não funciona na base da aplicação da letra da lei. é preciso interpretá-la levando em conta os fatos. E é fato que Eduardo Cunha agiu com 2 pesos e 2 medidas em acatar pedido de Impeachment de Dilma e ter engavetado o pedido contra Michel Temer, ainda que ambos tenham a mesma base de acusação , que são as tais pedaladas fiscais. Segundo Mello, Eduardo Cunha jamais deveria engavetado sem antes ter colocado o pedido do advogado Mariel Marley sob apreciação da Casa, pois o ministro entendeu que Cunha acumulou uma atribuição que não é naturalmente sua, a de engavetar sem a análise dos outros parlamentares constituídos em comissão, como prevê a lei.

O cenário político é muito incerto, pois novos fatos ocorrem toda a semana, o que mexe com as expectativas dos agentes políticos  . Ter instituições  sirvam de contra-peso em relação as demais é necessário em um processo tão delicado que é o do impeachment. Mas ter a segurança de que ainda existem juízes no STF gera uma expectativa de que nem todos estão comprometidos com as paixões das ruas.

 

 

 

 

O fisiologismo na cultura política brasileira

PRESIDENTES

  A República Velha evitou o alcance dos avanços necessários para que o Brasil se tornasse uma nação pujante. Quando Dom Pedro II foi deposto por um golpe militar, encabeçado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, não houve nenhum projeto de poder que pudesse mudar os rumos de um país recém-saído da escravidão. A governança virou sinônimo de fisiologismo, patrimonialismo e a instauração de uma cultura autoritária baseada na defesa da manutenção da ordem a qualquer custo, ou seja, o oposto de qualquer república civilizada que consagra os mais fundamentais direitos do homem. Como virou tradição no Brasil e não muito diferente do que foi no presente, as elites estavam lado a lado com a república velha, próximo ao Governo pela defesa de seus privilégios.

Nos primeiros mandatos presidenciais, o que se praticava entre a elite e os políticos é o que hoje chamamos de Capitalismo de Estado, modelo de governo baseado na parceria com o grande capital para financiar grandes projetos, visando o controle dos mercados para dividir as receitas dos investimentos com as elites parceiras dos que detém o poder. Com isso, se excluiu a livre iniciativa dos empreendedores que não enxergavam nenhum interesse em depender das facilidades dos governantes.

Para que possamos ter uma idéia do como era essa relação de promiscuidade entre o Estado e as elites agrárias, na cidade de Taubaté, foi firmado o Convênio de Taubaté, sob a presidência de Rodrigues Alves. No começo do século XX, a commoditie mais valorizada no país era o café, que proporcionava muitos lucros para o setor agrário, de modo que as políticas econômicas adotadas pelos presidentes da República Velha eram pautadas na manutenção dos interesses da elite cafeeira do sudeste do país.

Com isso, inviabilizava-se qualquer projeto de modernização no país. Muitos empresários que tentavam investir no setor produtivo – industrial eram boicotados pelo próprio Governo, já que este tinha dívidas a quitar com o banco dos Rothschild. Tal relação de dependência com os ingleses fazia com que o Brasil facilitasse o ingresso de produtos industrializados para o mercado brasileiro a taxas de importação menores dos que os impostos cobrados no Brasil.

O apogeu do café durou até a crise econômica de 1929, pois a partir deste momento, a cotação internacional do café despencou vertiginosamente, o que tornava praticamente inviável produzi-lo. A solução encontrada pelos presidentes da ocasião foi comprar o excedente de café não consumido pelo mercado para manter as cotações elevadas. E o dinheiro para comprar o excedente de café vinha ou de impressão de dinheiro ( que não existia) ou da tomada de empréstimos com o banco inglês da família Rothschild, o que acarretou no aumento da dívida pública do país, que foi sanada com aumento de impostos, recessão econômica e arrocho salarial.

Ao ver tais fatos do passado, o leitor pode ter a impressão de estar lidando com o Brasil de 2016. Acontece que a mentalidade política não experimentou nenhum avanço nos últimos 100 anos.

”liberais” que não abrem mão dos seus impostos

Segundo o fundador do Instituto Millenium, a pobreza está ”diminuindo” no Brasil.
Nada mais fora da realidade. 

A cada dia que se passa, alguns liberais decepcionam dada a incoerência entre os valores que dizem defender e o que realmente fazem em prol de seus interesses. Apregoam a defesa de um mercado sem regulações do Governo, com menos impostos sobre os negócios e  exortam as liberdades individuais dos homens. Mas quando conseguem privilégios dos Governos, como empréstimos no BNDES ou parcerias com empresas estatais, estes se esqueçam de que  recursos por eles utilizados nada mais são do que os impostos pagos por terceiros. É o caso do  empresário Helio Beltrão, dono da Ultra Gaz, que doou aproximadamente 5 milhões para a campanha da Dilma Rousseff,  mas aparentemente promove um modelo de gestão de governo que é o oposto do praticado pelo PT. Como em política o cão não morde a mão que o alimenta, empresários não fazem doações, mas investimentos em siglas , para poder receber em trocas favores em defesa de seus negócios. No setor de energia é necessário obter uma concessão pública para explorar os recursos naturais, como petróleo e gás natural. Porém, seus contatos com o Governo não são recentes.

Em 1999, o grupo ULTRA foi agraciado com um empréstimo de 1 bilhão de reais (veja no link abaixo). O que soa estranho é que Beltrão preside e financia uma instituição- O Mises Brasil- que promove um discurso anti-Estado e anti-Governo. Se diz contra a intervenção do Estado na economia e defende que todos os serviços públicos devem ser privatizados, sob a alegação de que quem utiliza saúde e educação está sendo sustentado por quem paga imposto ( como se pobre não pagasse nada), daí o Governo que presta serviço público estaria praticando ”injustiça social” por tirar dinheiro do bolso de quem  trabalha para quem não nada possui . Nada mais infame e irreal. Mas abrir mão do BNDES é algo que está fora de cogitação. Defende descaradamente redução de impostos, mas não larga os impostos dos outros. Helio Beltrão é sócio das empresas estatais Banco do Brasil, BNDES e Petrobrás na Braskem, empresa da qual detém 20% das ações, pois ser sócio de empresas estatais é sinônimo de risco zero e lucro 100% garantido.

INCOMODADO com as críticas
O libertário, que até ontem odiava o Estado, muda de opinião e cria outra ideologia para justificar a mudança de postura .

O posto Ipiranga é uma das empresas do Grupo Ultra

Doação do posto Ipiranga
O que faz um liberal doar 330.000 para uma presidente esquerdista? Pergunta no Posto Ipiranga!

 

   Como se não bastasse, seu colega de militância libertária, Filipe Rangel Celeti conseguiu autorização do Governo, via Lei Rouanet, para captar a generosa quantia estatal de 455.000 para publicar livros sobre liberalismo, ou seja, que critica a interferência do Estado na economia. Ele é dono da Bunker Editorial.
Ambos seguem o receituário da grande elite brasileira: perante às câmeras, o discurso inflamado a favor do povo; nos bastidores, consomem o dinheiro do povo, em uma relação de promiscuidade com quem está no poder.

Helio Beltrão, além de querer  o Estado apenas para si, é formado em engenharia na  Politécnica-USP, uma universidade pública. Brasil parece ser o país da piada pronta, pois o presidente do Instituto Mises Brasil, think Tank que difunde a tendência econômica mais radical do liberalismo, defende a privatização do ensino público.  Pode parecer piada, mas é exatamente esta a mentalidade da elite brasileira: pobre só serve para pagar impostos, pois se crescer na vida, não haverá disposição para aceitar um salário de fome.

Caro colega, quando alguns destes indivíduos falarem em redução de impostos, tenha a certeza de que eles estão defendendo , e unicamente, o dinheiro deles.
O Sr. Helio Beltrão espalha aos 4 cantos a eficiência do livre mercado ao mesmo tempo em que atua em um setor no qual não há concorrentes ( pois depende de uma concessão pública para distribuir gasolina no posto Ipiranga e explorar gás natural). Pelo contrário, é parceiro e sócio do Governo que ajudou a financiar.
E para continuar sem concorrentes, basta financiar quem está no poder. Será mesmo que ele deseja a queda da Dilma?
Links:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0812200018.htm#
http://www1.folha.uol.com.br/…/1526258-liberais-libertarios…

 

Pessoas físicas e empresas que doaram dinheiro para a campanha da Dilma Rousseff em 2014.
http://inter01.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2014/resumoReceitasByCandidato.action?sqCandidato=280000000083&sgUe=BR

Os devaneios de Kátia Abreu

Kátia Abreu

Para quem fez carreira representando os interesses dos maiores latifundiários do Brasil, por meio de lobby como senadora da República , sua postura na entrevista não espanta.

 

Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, a ministra Kátia Abreu afirmou que o Mercosul é um entrave para o desenvolvimento comercial. Até aí, tudo bem. Protecionismo não estimula as empresas nacionais a serem mais produtivas pois ficam dependentes da proteção de quem governa. Além disso, a ministra afirmou que o mercado deve ser livre a despeito de quem quebra ou quem não puder sobreviver à concorrência.  Porém, isso só funciona quando os competidores de um determinado setor do mercado disputam seus consumidores com condições aproximadamente parecidas, ou seja, se um recorre a empréstimos bancários e paga impostos, tais condições devem abranger a todos os demais empresários que querem prover o mercado com os mesmos produtos. Não é o que ocorre no Brasil, pois os grandes empresários ( empreiteiros, banqueiros e latifundiários) são protegidos por aqueles que detém o poder. Os juros elevados estimulam os grandes banqueiros do país a comprarem os títulos da dívida pública, que oferece um retorno que corrige a inflação e atinge a casa dos bilhões. Os empreiteiros tem como principal cliente o Governo e as empresas estatais, participando de licitações em contratos bilionários. Chama a atenção o fato de que um pequeno circulo de grandes construtores prestam o mesmo serviço para o Governo diversas vezes. Quanto aos agricultores de maior envergadura,os que concentram mais terra,  são contemplados com incentivos fiscais e crédito do BNDES. A distribuição de privilégios para os ditos ”campeões nacionais” gera desequilíbrio na competição entre empresas pelo mercado consumidor, deixando para trás os pequenos e médios empreendedores. Ou seja, a ministra não está vendo a realidade brasileira como um todo.

O problema do posicionamento da Kátia Abreu não  a respeito do livre mercado, mas ao ignorar as diferenças que existem nas condições de empreender entre as empresas nacionais e estrangeiras. As multinacionais tem um leque de opções para captar recursos a juros BAIXÍSSIMOS. No Brasil, cuja taxa de juros SELIC está em 14,25 %, inflação a quase 11% e impostos elevados sobre a produção, fica praticamente impossível sobreviver perante a inserção das empresas multinacionais na competição pelos mercados. Ao afirmar que ”para que uns vivam, outros tem que morrer”, Katia Abreu ignora que a política econômica adotada pelo Governo que ela defende é o principal entrave do desenvolvimento do país. Se fizermos uma comparação do Brasil com os países desenvolvidos (EUA, Japão, Reino Unido , França e Austrália), eles praticam juros muito baixos, coisa que se reflete em toda a cadeia produtiva. Os investimentos do setor privado são maiores, os salários são maiores e os preços dos bens de consumo são relativamente mais baratos. Isso se deve à carga tributária menor sobre o consumo e a produção. 

gráfico das taxas praticadas no mundo.jpg
*PIB medido em bilhões de dólares   

  Fonte:  http://pt.tradingeconomics.com/

            A comparação entre os países a respeito de juros, inflação, PIB e desemprego

Os incentivos que precisam ser adotados são outros. Katia Abreu focou na exportação como um meio de superar a crises do país, só que ela insiste em olhar uma saída para superá-la sob a ótica dos exportadores de commodities. Os incentivos necessários para o Brasil voltar a crescer são os que permitem os países de primeiro mundo serem desenvolvidos: juros baixos, menos impostos, menos burocracia, livre mercado e respeito à livre iniciativa . O crescimento do PIB e inflação baixa são apenas consequências das medidas que devem ser tomadas.

Obama e as lágrimas de crocodilo

Como o presidente não pode dobrar o Poder Judiciário e nem o Congresso, sobrou apelar para a demagogia e teatralidade

O presidente americano, Barack Obama protagonizou uma cena digna de um Oscar, no pior sentido da expressão. No intuito de convencer a nação das restrições que ele pretende impor ao acesso às armas de fogo, Obama caiu em prantos, como se quisesse passar a impressão de ser alguem combalido com as mortes causadas por malucos que saem atirando ao ar livre. Como não conseguiu ser vitorioso na tentativa de controlar o comércio de armas propondo os decretos que foram derrubados na Câmara e no Senado e após ter perdido duas vezes na Suprema Corte,  restou a Obama a arte de interpretar , explorando  a dor e a esperança dos familiares das vítimas ao falar em nome de um bem supostamente superior ao tudo que existe para passar por cima da Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que concede ao cidadão o direito de portar armas para a sua defesa, de forma individual ou coletiva, por meio de milícias , em nome de um Estado livre e soberano.

A SEGUNDA EMENDA À CONSTITUIÇÃO
O presidente americano se esqueceu de consultar a Constituição de seu pais

Muito se falou sobre os prantos do presidente e pouco se pensou sobre as implicações da restrição ao porte de armas.  De acordo com o Obama,  qualquer cidadão que queira comprar uma arma precisa passar por avaliação psicológica para demonstrar aptidão; não pode ter antecedentes criminais e sinais de sociopatia. Quais seriam os critérios de identificação destes aspectos? Parte da sociedade americana passou a comprar mais armas em meio à possibilidade de que fosse mais difícil adquiri-las no futuro. A restrição que Obama pretende impor ao comércio de armas prevê o aumento de fiscalização nas lojas para garantir a eficiência do controle.

Em meio aos holofotes, Obama acusou a indústria armamentista de fazer LOBBY no Congresso devido às derrotas que sofreu por lá, mas a verdade é que a maioria do deputados e senadores são do Partido Republicano, e quase todos são contra impor restrições às armas. Para o cidadão norte americano, estar armado é sinônimo de liberdade e garantia de preservação pessoal

Toda e qualquer solução voltada para tirar as armas das mãos de psicopatas  para poupar vidas são muto  bem vindas, desde que tal solução não implique em sacrificar os direitos individuais, valores que são caros em um mundo no qual a liberdade parece estar sendo trocada por uma sensação de segurança, em nome do bem e da ordem.

 

Fim do Populismo de Esquerda?

Talvez Maurcio Macri seja o início de uma correção das veredas da Argentina

A América Latina está passando por ventos de mudança. Após um longo período de alta popularidade de líderes da esquerda, o ano de 2015 deu alguns sinais importantes, a começar pela eleição de Mauricio Macri na Argentina, que encerra  12 anos de populismo dos governos de Nestor e Cristina Kirshner que , após  terem experimentado uma conjuntura internacional que foi favorável aos países da região, agora tal modelo se mostra esgotado . Cristina Kirchner cometeu erros crassos. Adotou um modelo mais intervencionista e autoritário a ponto de nacionalizar uma empresa estrangeira e a proibir o mercado de dólares no país com o objetivo de maquiar os índices oficiais de inflação, prejudicando o comércio exterior e a importação de produtos que não estavam sendo produzidos no país, devido à instabilidade fiscal , que por sua vez foi causado por desarranjos da política econômica que foram adotadas em sua gestão. Macri sinaliza adotar medidas mais liberais na economia, abandonando o protecionismo , que inclusive prejudica os negócios brasileiros na Argentina. O populismo de Cristina Kirshner, como não poderia ser diferente, espantou empresas,investimentos de longo prazo e aumentou o desemprego e a pobreza no país. É o preço do populismo.

No mês de Dezembro, a oposição venezuelana derrotou a ala governista de Nicolas Maduro na Assembléia Nacional, conquistando 112 cadeiras em um total de 167. Esta é a maior derrota que o chavismo sofre desde 1998, quando Hugo Chavez foi eleito presidente e se manteve popular até sua morte, em 2013. Por mais que o atual presidente venezuelano resista em admitir que sua permanência no poder é uma questão de tempo, fato é que o grau de insatisfação do país se deve ao esgotamento de um modelo que não mais surte efeito em meio às mudanças das condições externas. O principal produto de exportação da Venezuela é 0 petróleo , que está cotado em 37,45 dólares em média, um cenário bem avesso aos tempos de Chavez, quando o preço do barriu atingia 100 dólares. E o resultado das eleições do Legislativo é apenas um reflexo da atual realidade.

força Venezuela
A VITÓRIA DA OPOSIÇÃO NA VENEZUELA É MAIS UM PRESSÁGIO QUE AMEAÇA VARRER O POPULISMO DA AMÉRICA LATINA.

Hugo Chavez, apesar de ter conquistado bons índices de desenvolvimento social, tinha ganância pelo poder. Não convivia com a liberdade de imprensa. Chegou a fechar o canal RCTV em 2008, alegando que a emissora escalava um ”movimento golpista” para acabar com os avanços sociais pelos quais o povo passara. Fez referendos para aumentar o tempo de permanência no poder, de 4 para 6 anos cada mandato, e para se reeleger quantas vezes quisesse, desrespeitando o rito democrático de alternância de poder . Porém, tudo isso foi possível devido à alta popularidade.  É comum em regimes populistas os presidentes esbanjarem gastos na área social para incentivar a fidelidade eleitoral das pessoas mais pobres, ainda que isso arruíne as contas públicas. Problemas resultantes do exagero nos gastos do Governo é problema de quem irá resolvê-los no futuro.  Quando Nicolas Maduro assumiu a presidência em 2013, após a morte de Hugo Chavez , derrotando o líder da oposição, Henrique Capriles, as conjunturas internacional e interna não eram as mesmas. A cotação do petróleo caiu, a popularidade herdada de Hugo Chavez não é mais a mesma e a fama de Maduro ser hostil ao mercado afujentou investidores, fazendo o dólar subir no país a ponto de fazer a inflação subir ainda mais,acompanhada da escassez de produtos básicos.  O modelo chavista mostra sinais de esgotamento.

As sucessivas derrotas que as esquerdas vem sofrendo na América do Sul põe em alerta outros líderes importantes, como o presidente da Bolívia, Ivo Morales ,e o presidente do Equador, Rafael Correa.  O mesmo pode se dizer no Brasil, no caso do PT, que embarcou no populismo quando o Presidente Lula tão logo se reelegeu, em 2006. Seu primeiro mandato- de 2003 a 2006- foi pautado no compromisso de dar continuidade ás reformas deixadas pelo antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Da mesma forma que os outros presidentes sul-americanos, Lula chegou ao poder em 2003 com a maré a seu favor, em meio à valorização das commodities , câmbio barato, inflação controlada, ou seja, estavam reunidas todas as condições para o país voltar a ter um ciclo de prosperidade e o PT ter um Governo popular e reconhecido pelo eleitorado ao ter êxito em alguns  programas sociais que foram mantidos durante seu governo.  Mas quando  Dilma Rousseff chega ao poder em 2011,a coisa muda de figura. A situação não é mais a mesma, e a realidade demanda a adoção de um outro modelo econômico para que o país pudesse dar continuidade a generosas taxas de crescimento, de modo que a arrecadação de impostos pudesse dar sustentação aos programas sociais tão bem sucedidos na era Lula.

Atualmente, o quadro econômico é o oposto do que foi nos anos 2000: inflação a 10%,  dólar  3,75 reais, juros  SELIC a 14,25% , índice recorde desde a redemocratização, desemprego batendo a casa de 9%, corte dos programas sociais, aumento da dívida pública, os investidores estão mais receosos para investir em um cenário imprevisível. A esquerda tem dificuldade de entender a importância do equilíbrio nas contas públicas. Cada receita  deve estar associada a sua respectiva despesa, de modo que a conta feche no fim do ano. Se o Governo gasta mais do que arrecada, isso sinaliza que haverá aumentos de impostos para cobrir o rombo fiscal, deixando consumidores e investidores receosos em investir, pois seus ganhos serão menores em meio ao aumento de impostos nos anos vindouros. A falta de responsabilidade fiscal e de preocupação com o futuro é a melhor explicação da crise do Bolivarianismo na América Latina.

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