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2 pesos e 2 medidas no Congresso Nacional

 

Porque o deputado Glauber Braga (PSOL) , ao citar o guerrilheiro Carlos Mariguela  na votação do impeachment da presidente Dilma, não gerou revolta e quando o deputado Jair Bolsonaro citou a memória e  o nome do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra gerou protestos e polêmica?  Ambos cometeram crimes no passado. Mariguela era de um grupo armado chamado AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL, que atuou contra o Regime militar , cometeu atentados terroristas, foi responsável pelo sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick e assassinou pessoas inocentes. Já o Coronel Brilhante Ustra foi um notório torturador, segundo as vítimas do tempos de repressão  e aqueles que disseram ter sido torturados. A presidente Dilma Roussef, na época integrante do grupo armado Var-Palmares, confessou tempos atrás ter sido torturada pelo Brilhante Ustra. No entanto, os que dizem ter combatido o Regime Militar costumam ser bem visto  e ter boa praça; e os que defendem o Regime, são execrados em praça pública.

A resposta  para tal indagação está na narrativa que a Esquerda construiu após a  redemocratização. Muitos políticos de esquerda que no passado foram guerrilheiros da luta armada contaram a versão da história ao seu próprio sabor quando chegaram ao poder. Muitos, dentre os quais José Dirceu e José Genuíno, que tiveram treinamento em Cuba, tinham pretensões revolucionárias nos seus tempos de mocidade. Isso significa que se os movimentos ditos revolucionários tomassem o poder antes dos militares, poderiam instaurar uma ditadura comunista nos moldes cubanos. Era uma possibilidade eminente na época, dada as ligações que os movimentos brasileiros tinham com a URSS, Cuba e afins. Porém, no pleno Estado democrático de Direito , o discurso por eles proferido remete a valores que nunca foram perseguidos por muito militantes de esquerda. Afirmam em alto e bom som que lutaram contra a Ditadura militar para restabelecer a democracia e pelo resgate da liberdade civil.  E o discurso convenceu a muitos, principalmente a juventude universitária que não viveu os tempos do Regime Militar. Não por coincidência, as universidades brasileiras  ( principalmente as públicas) são quase que praticamente  dominadas por acadêmicos e intelectuais da geração do PT, que ajudaram a disseminar a versão oficial dita por eles.

Ainda que o Socialismo não tenha identificação de fato com a liberdade individual e com a democracia, o passado é contado de tal modo que os militares são vistos como vilões e os guerrilheiros da esquerda armada são vistos até hoje como  os mocinhos, os heróis. Pode ser uma simplificação grosseira do passado, mas é uma versão dos fatos que é sustentada nos currículos escolares e que ajuda a consolidar no imaginário popular uma versão única da história, o que explica em boa medida as diferenças de reação frente às declarações que ambos os deputados da Câmara proferiram no dia da votação do impeachment.

Artistas e intelectuais que foram perseguidos, torturados por militares e exilados do país tambem são um braço importante no campo da cultura para ajudar a reforçar a versão do passado que é mais conveniente aos partidos de esquerda. Com isso , não devemos pensar que as torturas e os assassinatos cometidos pelos militares sejam coisas que possam ser defendidas do ponto de vista moral, mas longe de acharmos que aqueles que no passado combateram o Regime Militar estiveram comprometidos com o restabelecimento da democracia. Até porque indivíduos imbuídos da mentalidade revolucionária são treinados para abrir mão e qualquer valor moral ou respeito pela vida humana em prol da realização das pretensões revolucionárias. E isso implica em mentir , esconder fatos, contar o passado que reforce um posicionamento político tomar o poder a qualquer custo.

Em entrevista ao jornalista Bruno Torturra, Eduardo Jorge ( PV) dissera que o movimento de esquerda do qual fazia parte perseguia a ditadura do proletariado

Não costumamos ver camisas estampadas com fotos dos presidentes militares mundo afora. Mas é muito comum ver camisetas que estampam fotos do guerrilheiro e assassino Che Guevarra . O deputado Jean Willis (PSOL) já pousou para a capa da revista Rolling Stone fantasiado de Che Guevarra. O mais engraçado e cômico de tudo isso é que o deputado se declara homossexual e militante da causa GLBT, e o revolucionário argentino odiava gays, negros e rockeiros. Isso mesmo.


Onde está a coerência da esquerda quando usa como ícone  uma
das figuras mais sanguinárias do século passado?

A figura de Che Guevarra estimula no imaginário dos jovens uma inspiração revolucionária em nome da igualdade, da liberdade e da tolerância, valores que o próprio Che jamais perseguira em vida. Mesmo assim, é um instrumento cultural que o coloca na história como um herói , da mesma forma que muitos militantes da esquerda armada, cuja boa parte cometeu crimes, assassinou pessoas inocentes ( vide o caso da explosão de uma bomba no Aeroporto dos Guararapes, em Recife).  O efeito da imagem é de que quem usa a camisa de Che Guevarra acha mesmo que luta por tais ideais

Enfim, a diferença entre os discursos do Glauber Braga e Jair Bolsonaro sobre as memórias do passado se deve à associação  que as figuras mencionadas do passado com a versão do passado que vingou.

 

obs: manual do guerrilheiro urbano , de Carlos Mariguela, para os curiosos.
file:///C:/Users/cesar/Downloads/Mini-Manual%20do%20Guerrilheiro%20Urb%20-%20Carlos%20Marighella.pdf

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