O fisiologismo na cultura política brasileira

PRESIDENTES

  A República Velha evitou o alcance dos avanços necessários para que o Brasil se tornasse uma nação pujante. Quando Dom Pedro II foi deposto por um golpe militar, encabeçado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, não houve nenhum projeto de poder que pudesse mudar os rumos de um país recém-saído da escravidão. A governança virou sinônimo de fisiologismo, patrimonialismo e a instauração de uma cultura autoritária baseada na defesa da manutenção da ordem a qualquer custo, ou seja, o oposto de qualquer república civilizada que consagra os mais fundamentais direitos do homem. Como virou tradição no Brasil e não muito diferente do que foi no presente, as elites estavam lado a lado com a república velha, próximo ao Governo pela defesa de seus privilégios.

Nos primeiros mandatos presidenciais, o que se praticava entre a elite e os políticos é o que hoje chamamos de Capitalismo de Estado, modelo de governo baseado na parceria com o grande capital para financiar grandes projetos, visando o controle dos mercados para dividir as receitas dos investimentos com as elites parceiras dos que detém o poder. Com isso, se excluiu a livre iniciativa dos empreendedores que não enxergavam nenhum interesse em depender das facilidades dos governantes.

Para que possamos ter uma idéia do como era essa relação de promiscuidade entre o Estado e as elites agrárias, na cidade de Taubaté, foi firmado o Convênio de Taubaté, sob a presidência de Rodrigues Alves. No começo do século XX, a commoditie mais valorizada no país era o café, que proporcionava muitos lucros para o setor agrário, de modo que as políticas econômicas adotadas pelos presidentes da República Velha eram pautadas na manutenção dos interesses da elite cafeeira do sudeste do país.

Com isso, inviabilizava-se qualquer projeto de modernização no país. Muitos empresários que tentavam investir no setor produtivo – industrial eram boicotados pelo próprio Governo, já que este tinha dívidas a quitar com o banco dos Rothschild. Tal relação de dependência com os ingleses fazia com que o Brasil facilitasse o ingresso de produtos industrializados para o mercado brasileiro a taxas de importação menores dos que os impostos cobrados no Brasil.

O apogeu do café durou até a crise econômica de 1929, pois a partir deste momento, a cotação internacional do café despencou vertiginosamente, o que tornava praticamente inviável produzi-lo. A solução encontrada pelos presidentes da ocasião foi comprar o excedente de café não consumido pelo mercado para manter as cotações elevadas. E o dinheiro para comprar o excedente de café vinha ou de impressão de dinheiro ( que não existia) ou da tomada de empréstimos com o banco inglês da família Rothschild, o que acarretou no aumento da dívida pública do país, que foi sanada com aumento de impostos, recessão econômica e arrocho salarial.

Ao ver tais fatos do passado, o leitor pode ter a impressão de estar lidando com o Brasil de 2016. Acontece que a mentalidade política não experimentou nenhum avanço nos últimos 100 anos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s