Os devaneios de Kátia Abreu

Kátia Abreu

Para quem fez carreira representando os interesses dos maiores latifundiários do Brasil, por meio de lobby como senadora da República , sua postura na entrevista não espanta.

 

Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, a ministra Kátia Abreu afirmou que o Mercosul é um entrave para o desenvolvimento comercial. Até aí, tudo bem. Protecionismo não estimula as empresas nacionais a serem mais produtivas pois ficam dependentes da proteção de quem governa. Além disso, a ministra afirmou que o mercado deve ser livre a despeito de quem quebra ou quem não puder sobreviver à concorrência.  Porém, isso só funciona quando os competidores de um determinado setor do mercado disputam seus consumidores com condições aproximadamente parecidas, ou seja, se um recorre a empréstimos bancários e paga impostos, tais condições devem abranger a todos os demais empresários que querem prover o mercado com os mesmos produtos. Não é o que ocorre no Brasil, pois os grandes empresários ( empreiteiros, banqueiros e latifundiários) são protegidos por aqueles que detém o poder. Os juros elevados estimulam os grandes banqueiros do país a comprarem os títulos da dívida pública, que oferece um retorno que corrige a inflação e atinge a casa dos bilhões. Os empreiteiros tem como principal cliente o Governo e as empresas estatais, participando de licitações em contratos bilionários. Chama a atenção o fato de que um pequeno circulo de grandes construtores prestam o mesmo serviço para o Governo diversas vezes. Quanto aos agricultores de maior envergadura,os que concentram mais terra,  são contemplados com incentivos fiscais e crédito do BNDES. A distribuição de privilégios para os ditos ”campeões nacionais” gera desequilíbrio na competição entre empresas pelo mercado consumidor, deixando para trás os pequenos e médios empreendedores. Ou seja, a ministra não está vendo a realidade brasileira como um todo.

O problema do posicionamento da Kátia Abreu não  a respeito do livre mercado, mas ao ignorar as diferenças que existem nas condições de empreender entre as empresas nacionais e estrangeiras. As multinacionais tem um leque de opções para captar recursos a juros BAIXÍSSIMOS. No Brasil, cuja taxa de juros SELIC está em 14,25 %, inflação a quase 11% e impostos elevados sobre a produção, fica praticamente impossível sobreviver perante a inserção das empresas multinacionais na competição pelos mercados. Ao afirmar que ”para que uns vivam, outros tem que morrer”, Katia Abreu ignora que a política econômica adotada pelo Governo que ela defende é o principal entrave do desenvolvimento do país. Se fizermos uma comparação do Brasil com os países desenvolvidos (EUA, Japão, Reino Unido , França e Austrália), eles praticam juros muito baixos, coisa que se reflete em toda a cadeia produtiva. Os investimentos do setor privado são maiores, os salários são maiores e os preços dos bens de consumo são relativamente mais baratos. Isso se deve à carga tributária menor sobre o consumo e a produção. 

gráfico das taxas praticadas no mundo.jpg
*PIB medido em bilhões de dólares   

  Fonte:  http://pt.tradingeconomics.com/

            A comparação entre os países a respeito de juros, inflação, PIB e desemprego

Os incentivos que precisam ser adotados são outros. Katia Abreu focou na exportação como um meio de superar a crises do país, só que ela insiste em olhar uma saída para superá-la sob a ótica dos exportadores de commodities. Os incentivos necessários para o Brasil voltar a crescer são os que permitem os países de primeiro mundo serem desenvolvidos: juros baixos, menos impostos, menos burocracia, livre mercado e respeito à livre iniciativa . O crescimento do PIB e inflação baixa são apenas consequências das medidas que devem ser tomadas.

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