Fim do Populismo de Esquerda?

Talvez Maurcio Macri seja o início de uma correção das veredas da Argentina

A América Latina está passando por ventos de mudança. Após um longo período de alta popularidade de líderes da esquerda, o ano de 2015 deu alguns sinais importantes, a começar pela eleição de Mauricio Macri na Argentina, que encerra  12 anos de populismo dos governos de Nestor e Cristina Kirshner que , após  terem experimentado uma conjuntura internacional que foi favorável aos países da região, agora tal modelo se mostra esgotado . Cristina Kirchner cometeu erros crassos. Adotou um modelo mais intervencionista e autoritário a ponto de nacionalizar uma empresa estrangeira e a proibir o mercado de dólares no país com o objetivo de maquiar os índices oficiais de inflação, prejudicando o comércio exterior e a importação de produtos que não estavam sendo produzidos no país, devido à instabilidade fiscal , que por sua vez foi causado por desarranjos da política econômica que foram adotadas em sua gestão. Macri sinaliza adotar medidas mais liberais na economia, abandonando o protecionismo , que inclusive prejudica os negócios brasileiros na Argentina. O populismo de Cristina Kirshner, como não poderia ser diferente, espantou empresas,investimentos de longo prazo e aumentou o desemprego e a pobreza no país. É o preço do populismo.

No mês de Dezembro, a oposição venezuelana derrotou a ala governista de Nicolas Maduro na Assembléia Nacional, conquistando 112 cadeiras em um total de 167. Esta é a maior derrota que o chavismo sofre desde 1998, quando Hugo Chavez foi eleito presidente e se manteve popular até sua morte, em 2013. Por mais que o atual presidente venezuelano resista em admitir que sua permanência no poder é uma questão de tempo, fato é que o grau de insatisfação do país se deve ao esgotamento de um modelo que não mais surte efeito em meio às mudanças das condições externas. O principal produto de exportação da Venezuela é 0 petróleo , que está cotado em 37,45 dólares em média, um cenário bem avesso aos tempos de Chavez, quando o preço do barriu atingia 100 dólares. E o resultado das eleições do Legislativo é apenas um reflexo da atual realidade.

força Venezuela
A VITÓRIA DA OPOSIÇÃO NA VENEZUELA É MAIS UM PRESSÁGIO QUE AMEAÇA VARRER O POPULISMO DA AMÉRICA LATINA.

Hugo Chavez, apesar de ter conquistado bons índices de desenvolvimento social, tinha ganância pelo poder. Não convivia com a liberdade de imprensa. Chegou a fechar o canal RCTV em 2008, alegando que a emissora escalava um ”movimento golpista” para acabar com os avanços sociais pelos quais o povo passara. Fez referendos para aumentar o tempo de permanência no poder, de 4 para 6 anos cada mandato, e para se reeleger quantas vezes quisesse, desrespeitando o rito democrático de alternância de poder . Porém, tudo isso foi possível devido à alta popularidade.  É comum em regimes populistas os presidentes esbanjarem gastos na área social para incentivar a fidelidade eleitoral das pessoas mais pobres, ainda que isso arruíne as contas públicas. Problemas resultantes do exagero nos gastos do Governo é problema de quem irá resolvê-los no futuro.  Quando Nicolas Maduro assumiu a presidência em 2013, após a morte de Hugo Chavez , derrotando o líder da oposição, Henrique Capriles, as conjunturas internacional e interna não eram as mesmas. A cotação do petróleo caiu, a popularidade herdada de Hugo Chavez não é mais a mesma e a fama de Maduro ser hostil ao mercado afujentou investidores, fazendo o dólar subir no país a ponto de fazer a inflação subir ainda mais,acompanhada da escassez de produtos básicos.  O modelo chavista mostra sinais de esgotamento.

As sucessivas derrotas que as esquerdas vem sofrendo na América do Sul põe em alerta outros líderes importantes, como o presidente da Bolívia, Ivo Morales ,e o presidente do Equador, Rafael Correa.  O mesmo pode se dizer no Brasil, no caso do PT, que embarcou no populismo quando o Presidente Lula tão logo se reelegeu, em 2006. Seu primeiro mandato- de 2003 a 2006- foi pautado no compromisso de dar continuidade ás reformas deixadas pelo antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Da mesma forma que os outros presidentes sul-americanos, Lula chegou ao poder em 2003 com a maré a seu favor, em meio à valorização das commodities , câmbio barato, inflação controlada, ou seja, estavam reunidas todas as condições para o país voltar a ter um ciclo de prosperidade e o PT ter um Governo popular e reconhecido pelo eleitorado ao ter êxito em alguns  programas sociais que foram mantidos durante seu governo.  Mas quando  Dilma Rousseff chega ao poder em 2011,a coisa muda de figura. A situação não é mais a mesma, e a realidade demanda a adoção de um outro modelo econômico para que o país pudesse dar continuidade a generosas taxas de crescimento, de modo que a arrecadação de impostos pudesse dar sustentação aos programas sociais tão bem sucedidos na era Lula.

Atualmente, o quadro econômico é o oposto do que foi nos anos 2000: inflação a 10%,  dólar  3,75 reais, juros  SELIC a 14,25% , índice recorde desde a redemocratização, desemprego batendo a casa de 9%, corte dos programas sociais, aumento da dívida pública, os investidores estão mais receosos para investir em um cenário imprevisível. A esquerda tem dificuldade de entender a importância do equilíbrio nas contas públicas. Cada receita  deve estar associada a sua respectiva despesa, de modo que a conta feche no fim do ano. Se o Governo gasta mais do que arrecada, isso sinaliza que haverá aumentos de impostos para cobrir o rombo fiscal, deixando consumidores e investidores receosos em investir, pois seus ganhos serão menores em meio ao aumento de impostos nos anos vindouros. A falta de responsabilidade fiscal e de preocupação com o futuro é a melhor explicação da crise do Bolivarianismo na América Latina.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s