O BURACO É MAIS EMBAIXO

Ciro Gomes, em debate com o economista Rodrigo Constantino, enfrenta os argumentos mais utilizados pelos 
liberais . O problema do Constantino não foi sua posição, mas a utlilização de um discurso não ancorado
nos fatos

Muitos ”liberais”, na tentativa de expor seus argumentos, caem em desgraça ao recorrerem a sofismas ou frases de efeito. Não são todos, mas alguns afirmam que o Governo não deveria prover serviços de saúde e educação por achar que tais serviços são custosos e que a grana que banca tais serviços vem do bolso dos que produzem algo . Aí nasce uma falsa premissa,pois fica implícita a idéia de que os que utilizam os serviços públicos não contribuem com nada. Isso não é verdade, pois os mais pobres pagam impostos. Muitas vezes, até mais impostos do que as outras classes, se consideramos a proporção da carga tributária na renda da classe C.

   O que rapazeada se esquece é que o maior gasto do Governo- e a mídia não faz questão de lembrar disso- é com a dívida pública ( interna e externa) , dívida esta causada e acumulada tanto pelo atual Governo quanto pelos que o antecedeu. Razão da dívida? Os Governos, ao gastarem mais do que arrecadam, repassam o rombo fiscal para as próximas administrações e gerações. E a forma para reduzí-la não é fechar um hospital ou privatizar uma universidade. O saneamento das despesas do Estado começa pelo fato de reconhecer que este não pode gastar mais do que arrecada, que antes de estatizar parte da economia de mercado, o Estado pode dar prejuízo por má administração e correr o risco de repassá-lo ( como de costume) para a sociedade por meio de aumento de impostos. E quem mais sofre com impostos sempre são os mais pobres.

   Portanto, cortar uma provisão de serviços que auxilia milhões de pessoas não gera nenhuma externalidade positiva. Pelo contrario: se os mais pobres pagam mais impostos, não sobraria nem dinheiro para contratar, por exemplo, um plano de saúde. E sem serviço público, o sofrimento social só iria aumentar. E quando uma pessoa contrata um serviço privado de saúde, está pagando 2 impostos: um para o serviço que contratou, e outro para o Governo, do qual não está usufruindo. Nada mais injusto. 

Muitos intelectuais que se colocam na posição de direita, ou liberal, prestam um enorme desserviço ao debate público ao afirmarem que o remédio para o saneamento das contas públicas passa por reduzir gasto nos serviços essenciais, como saúde e educação, e ignoram o tamanho da despesa que o Governo tem que arcar com a dívida publica, que consome 45% o orçamento federal.  A remuneração dos títulos da dívida, comprado por pessoas físicas e jurídicas- dente as quais Itaú e Bradesco-  tambem entra no cálculo da despesa da dívida pública. Dizer que o Bolsa família -que representa 0,5% do PIB-, um hospital e uma universidade pública é sinônimo de descontrole fiscal é não reconhecer que o Estado deve priorizar gastos e cortar despesas supérfulas é muita falta de honestidade intelectual.

Orcamento-2014-executado
Quando o Governo gasta mais do que arrecada, é inevitável o aumento de impostos para cobrir a farra fiscal. E se não tiver nenhum contra-peso institucional que evite políticos de abusarem da indolência e da irresponsabilidade fiscal, seremos escravos compulsórios daqueles que detém o poder.


Em 2014, o Governo federal gastou 978 BILHÕES ( nossos impostos) para amortizar a dívida pública, que está em 2,44 TRILHÕES de reais. O Governo tem que diminuir as despesas, e privatizar alguns setores trariam ganhos de produtividade e arredação. Mas não são os serviços públicos essenciais que são o principal obstáculo do crescimento do país. Posições de intelectuais que atacam o bolsa – família, alegando que o benefício estimula a falta de iniciativa pessoal, servem para mascarar a realidade . E tais ataques servem aos interesses de quem ganha muito dinheiro com a dívida pública, que são os credores, remunerados anualmente pela taxa selic,que está em 14,25%. O aumento da SELIC aumenta a dívida pública e faz a festa dos que detém seus títulos. Portanto, quem ataca os serviços públicos mira no alvo errado.

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