Como funcionam os aparelhos intelectuais do Estado

   No quinto Congresso do PT, Emir Sader critica um modelo que nunca existiu no Brasil: o neoliberalismo.
E defende a hegemonia dos valores do Socialismo, que tambem não existe e não funciona na prática

Um grupo ou partido que almeja chegar ao poder , para se preservar no poder, cria 2 tipos de discurso: um para as massas, mais focado na emoção e nas necessidades sociais dos desvalidos; e o outro, mais técnico, ideológico, fundamentado em valores que refletem as pretensões dos líderes políticos, é voltado para a militância, que integra um grupo mais reduzido, o que facilita seu controle e sua organização .

Entre o líder e as massas, existem os aparelhos intelectuais, que nada mais são do que propagandistas da ideologia que dissemina os valores que mais se adequam ao projeto de poder de quem pretende se preservar no Governo. Se os pobres estão passando fome ou carência material, o Governo diz que os pobres precisam de assistência, e eles não podem recorrer a mais ninguem a não ser ao Governo, nem que para isso este aumente os impostos (tirado do bolso dos pobres) . Neste caso, cabe aos aparelhos intelectuais cumprir o papel de criar uma narrativa que fomente no povo mais pobre a crença de que sua única alternativa é defender o Estado e que o Governo sempre estará do seu lado. E se o partido no poder fizer algo errado, seus atos são justificados pela intenção de atender às demandas populares, pois se o Governo tomou para si o monopólio da noção do bem público, sobra para o partido da oposição a alternativa de ser o defensor dos mais ricos. Isso ajuda a explicar porque o PT ganhou 4 eleições contra o PSDB, que não costuma reagir a tais críticas. Para o povo, quem cala, consente.

Quando Sader diz que a ''Direita'' deve ser derrotada ou sumir, isso já mostra o quanto ele odeia a democracia
Quando Sader diz que a ”Direita” deve ser derrotada ou sumir, isso já mostra o quanto ele odeia a democracia

O discurso ideológico criado pelos aparelhos intelectuais do Estado, voltado para fomentar ódio entre as classes, ganha peso e fôlego ( e voto) na medida em que a miséria social se alastra e as diferenças de renda e de classe se acentuam de tal modo que a população se torna mais sensível e permeável ao discurso populista. Quando o preço da cesta básica aumenta e falta emprego para o trabalhador, parece não restar outra opção a não ser aceitar os benefícios sociais do Governo. O que o povo tem dificuldade para entender é que o cenário de miséria social e de recessão econômica visa justamente atender os interesses de quem está no poder, pois quem recebe benefício do Governo, fica mais incentivado a votar em quem oferece o benefício a ter de votar no partido que poderia incentivar o bom funcionamento da economia de mercado, que gera emprego e renda. Porém, na falta de uma oposição que se venda como alternativa de poder, os mais desvalidos tendem a votar em quem, pelo menos, oferece concessões no intuito de aliviar o sofrimento.

A manutenção da pobreza por meio do Estado é uma condição essencial para o partido, que está no poder, estender o controle sobre os desvalidos, visando a formação de um curral eleitoral permanente, sem mobilidade social. E isso não é uma característica do PT ou do PSDB. Qualquer partido que vislumbre um projeto para se preservar no poder faria algo parecido. E quando os intelectuais são convidados para dar um respaldo às iniciativas de um determinado Governo, eles criam uma ideologia voltada para justificar o poder e a ordem vigentes .

No quinto Congresso do PT, realizado em Maio, ficou claro quais são os valores do partido dos trabalhadores: o fomento a toda e qualquer iniciativa que propicie o avanço do Estado sobre a economia privada, a hegemonia daquilo que o partido entende como o bem público e o alastramento da  mentalidade anti-capitalista . O colunista da Carta Capital, Emir Sader, sabe muito bem disso, pois além de ter citado a Receita totalitária de Antonio Gramsci, alegou não estar satisfeito com os outros valores que concorrem , na sociedade, com o Socialismo. Se o cidadão é independente, ganha o seu salário ou tem o seu próprio negócio ,dentro de uma conjuntura econômica favorável ao crescimento da renda e do emprego, o cidadão não vai querer saber do Estado ou ir atrás do Bolsa- Família ,o que dificulta o trabalho dos intelectuais que se encarregam de disseminar a mentalidade anti-capitalista. As pessoas quando ascendem na escala social, não querem saber de socialismo. Querem melhorar de vida, principalmente uma parcela expressiva da pobreza que não sabia o que era ter carro, fazer 3 refeições ao dia ou frequentar uma universidade. Para o Emir Sader, a busca dos indivíduos por uma vida melhor e uma provisão material mais digna reflete o individualismo, um valor que se saiu vitorioso na batalha ideológica e que está inserido no cotidiano das pessoas.

Não satisfeito com a falta de hegemonia cultural do Socialismo na sociedade, o sociólogo atribui à espectativa dos mais pobres pela ambição de melhorar de vida um valor ”neoliberal”: a busca individual pelos próprios interesses. Aliás, coisa que todomundo faz quando o estômago começa a roncar. Até os esquerdistas. Mas para o Sader, que sempre viveu pendurado no Estado, liberdade individual e autonomia soam como heresias.

Confundir para desviar a atenção da  crise, que é criada pelo próprio Governo
Confundir para desviar a atenção da crise, que é criada pelo próprio Governo. Outra tática muito recorrente

É muito comum os intelectuais de Estado usar como tática criar inimigos externos que supostamente ameaçam o projeto de quem eles representam. Para militantes como o Emir Sader, o PSDB seria um partido de direita, neoliberal e que está do lado das elites. Os tucanos não são nenhuma coisa e nem outra. E quanto a ser a favor das elites, o professor de esqueceu de que o PT é o mais aliado ao grande capital dos setores financeiro, agrário e da construção civil. Não por acaso, os maiores financiadores de campanha. Nestes aspectos, PT e PSDB são parecidos. Mas a narrativa por ele utilizada visa distorcer conceitos e desviar a atenção das pessoas das reais causas dos atuais problemas do país.

Enfim, a conclusão é que pobre, para o PT, só serve para dar voto.Crescer na iniciativa privada? Nem pensar! Se depender de Emir Sader,o Brasil continuará na recessão, com juros alto e inflação descontrolada, que são efeitos de medidas tomadas pelo atual Governo que, alem de desastroso e gastador , se inspira no mesmo modelo de Governo do sociólogo da Unicamp. A bem da verdade é que os impostos que custeiam os benefícios sociais- que contribuem para os mais pobres- são coletados pela produtividade econômica. Ou seja, criar dificuldades ao setor privado implica em dificultar a vida dos mais pobres, pois  o Governo não produz nenhuma riqueza. E quando este aumenta os impostos, os mais pobres são sempre os mais prejudicados.

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2 comentários em “Como funcionam os aparelhos intelectuais do Estado”

  1. Excelente comentário! Vendem a ideia de que a única maneira do pobre conseguir algo é estender as mãos ao Estado, em troca de votos, claro, ao invés de dar condições para a iniciativa privada crescer, que ajudaria a gerar melhores empregos… mas “mataria” a miséria e a dependencia estatal, fortes aliados petistas.

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  2. Sim, não é mera coincidência o fato de todos os governos sul-americanos integrados ao Foro de São Paulo adotarem a mesma estratégia sobre questões sociais. eles tentam ajudar, oferecem bolsa e etc. , mas tirar da miséria, JAMAIS. Ou perderia o curral eleitoral dos que dependem do Governo.

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