A patrulha religiosa

 A Igreja evangélica se diz ” representante” do amor de Jesus Cristo. Porém, tal afirmação não passa de uma técnica para arrebanhar ovelhas. Se incomodar com a existência dos homossexuais é o cúmulo do totalitarismo

Recentemente, nas redes sociais, um grupo de pessoas que se dizem cristãs protestaram contra uma peça publicitária da empresa de cosméticos O Boticário, na qual o vídeo mostra 3 casais, um de heterossexuais e 2 de homossexuais, onde a pessoa presenteia seu namorado/ namorada com um artigo da empresa. Para alguns religiosos, o conteúdo da propaganda visa ”ameaçar” a família tradicional e seus valores pois a simples exposição de 2 homens e 2 mulheres trocando afetos e dando presentes um ao outro é o oposto daquilo que nos é legado de forma convencional, ou seja, que o amor só pode ser manifesto entre um homem e uma mulher. Porem, tal argumento não se justifica, pois a propaganda da Boticário não coloca em questão tal discussão. Provavelmente a empresa pretende vincular a sua imagem à ideia de que os gays tambem podem se presentear. A empresa sequer teve a intenção de por em cheque o valor da família. Tal suposição advinda de religiosos é um claro sinal de intolerância para com os homossexuais, já fomentada e cultivada por muitas Igrejas.

A reação contra os homossexuais tambem reflete a postura atrasada daqueles que se julgam os donos de certos valores morais . Para o cristão evangélico, ser fiél à sua crença implica em ser parte de uma missão que advoga,por meio da religião e da leis ( quando a Igreja elege seus representantes) impor aos outros a sua visão de mundo e modelo de comportamento a respeito de como as pessoas devem viver e como se relacionar intimamente. Para algumas lideranças religiosas, como o Pastor Silas Malafaia, ter liberdade de crença não é o suficiente. É preciso, sob o pretexto da ”proteção da espécie humana” , lutar contra qualquer movimento ou reivindicação que defenda os direitos individuais e a liberdade dos homossexuais. Para Malafaia, o simples reconhecimento do direito dos gays viverem como bem quiserem implica na etapa de um ”movimento gaysista” que supostamente ambiciona algo  maligno: acabar com a família tradicional.  Ou seja, todo e qualquer movimento de reação voltado a discriminar o homossexual, tratando-o como cidadão de segunda categoria e inspirado no medo de a identidade heterossexual ser solapada pela sua existência , é algo necessário para a manutenção da humanidade e o argumento que justifica a cruzada anti-gay é a liberdade religiosa que, na prática, ameaça a liberdade alheia.

Silas Mlafaia e sua cruzada anti-gay. Nada a ver com o amor ao próximo
Silas Mlafaia e sua cruzada anti-gay. Nada a ver com o amor ao próximo

O pastor Silas Malafaia pegou carona na polêmica em torno da propaganda e montou o seu palanque para projeção pessoal. Condenou a peça publicitária da Boticário e afirmou que a empresa estava a serviço de impor na marra um comportamento que não era adequando para as pessoas, alegando que o consumo dos cosméticos orientado pela propaganda iria estimular os jovens a serem gays, separando a sociedade entre ”pessoas de bem” e homossexuais. O fervor religioso é tão ridículo que o pastor  não se deu ao trabalho de explicar a razão pela qual ficou tão incomodado com a propaganda. Simplesmente se portou como alguem dotado de uma suposta autoridade moral que o autorizaria a dizer o que é certo e o que é errado.

Pessoas que não toleram outras em função de sua crença, origem e preferência sexual carregam um enorme problema de caráter social , pois não acreditam no direito de auto-afirmação pessoal. Cada um deve ser livre para perseguir seus interesses  e buscar a realização.  Porém, o pastor e muitos que reagiram negativamente contra o Boticário não acreditam neste valor. A liberdade deles deve ser preservada para ferir a liberdade dos outros. Abaixo, vídeo no qual o pastor Malafaia incita uma campanha de boycote contra a empresa .http://backlot-api.ig.com.br/player/?v=556e43cf7bda332db10000ff&autoplay=false&oasSitePage=undefined&urlPai=undefined

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2 comentários em “A patrulha religiosa”

  1. Francisco, eu só acho que as pessoas públicas, de projeção nacional, devem ter mais responsabilidade naquilo que forem falar, pois isso tem repercussão e influência nos seguidores.
    Além disso, acho que a liberdade individual e a privacidade são valores da civilização.

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