A promiscuidade entre o público e o privado

Steinbruch, aos 43 minutos de entrevista, reconhece o BNDES como o maior
fomentador de investimentos, por questões óbvias

Há uma relação direta entre as empresas que recebem empréstimos do BNDES e as doações que estas concedem aos partidos de oposição e , principalmente, ao governo. Não é mera coincidência.  Sob o discurso de criar ”campeões nacionais”  via aportes do banco estatal para competir com o sempre malvado capital estrangeiro, o então presidente LULA exagerou na dose ufanista ao tentar convencer a imprensa e as pessoas, que acompanham as contas públicas mais de perto, sobre tal objetivo que não refletia a realidade de fato.

O Governo que se arroga  à pretensão de cuidar dos pobres é exatamente aquele que age de maneira oposta ao discurso que apregoou ao longo de sua existência no poder, pois os recursos do BNDES são oriundos dos impostos . Em outras palavras, o Governo direciona parte dos tributos que cobra da população para turbinar os investimentos  privados das empresas amigas, que em troca financiam as campanhas eleitorais daqueles que exercem o poder.

O BNDES é uma empresa pública,  e como as outras, é deficitária e não gera receita . Existe para fomentar o grande capital  e o faz desde a década de 70 , época dos militares no poder. Empresas como Andrade Gutierrez e Odebrecht foram apenas umas das que foram contempladas com a oportunidade de prestar serviços para o Estado, com financiamento do banco estatal e contratos milionários  com  setor público. Além do aporte do BNDES, as empresas amigas do Regime Militar eram contempladas com recursos do FGTS, que era usado para abastecer o BNH- banco nacional de habitação.  Seu papel de principal fomentador de financiamento não mudou nos regimes democráticos. O empresário Benjamin Steinbruch foi o maior contemplado pela política dos campeões nacionais , pois durante as privatizações que ocorreram nos Governos de Itamar Franco e FHC, o empresário comprou 3 empresas estatais, dente as quais a LIGHT e a CSN. A grana veio do BNDES. Ou seja, o Governo tucano emprestou dinheiro público para aquele a quem vendeu as estatais, ou o que se costuma chamar de capitalismo de risco zero. Iniciativas como essa visam um único objetivo: agradar potenciais doares de campanhas.

Essencialmente, as fontes do BNDES são o PIS, PASEP e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Porém, como os governos tendem a ser gastadores, não poupam e são indolentes por natureza, o Tesouro tem sido usado para cobrir os rombos do banco estatal quando as demais fontes não são suficientes. Na prática, o Tesouro age como o principal acionista, por ter aportado uma quantidade gigantesca de dinheiro ao BNDES, e é o que vem ocorrendo atualmente. Como o Tesouro recolhe tributos, se este cobre os prejuízos de uma estatal, significa que faltará recursos para destinar ao seu objetivo original , que são os serviços públicos. Entre o final de 2014  o começo de 2015, o Governo Dilma cortou 7 bilhões nos programas de acesso ao ensino superior ( FIES e PROUNI) e 5 bilhões na área da saúde, além do aumento de impostos. É o preço que se paga ao fazer contabilidade criativa.

Um dos maiores ícones da relação promíscua entre Estado e capital privado é o empresário Eike Batista, filho do Eliezer Batista, fundador da Vale do Rio Doce. Seu vôo no mundo corporativo atraiu a tudo e a todos, pois durante os anos do Governo Lula, figurou como empresário mais rico do país. Porém esse brilho tem uma origem: o BNDES.
Parte de sua ascensão como um empresário de sucesso não se deve apenas à sua sagacidade de atrair investidores e colher bons frutos na aplicação de seus empreendimentos. Entre 2004 e 2012, o BNDES emprestou 10,4 bilhões de reais ao empresário. Porém, Eike Batista experimentou a maior derrocada de sua vida, devido a uma investida errada em poços de petróleo que ganhou em uma concessão pública, no Rio de Janeiro. Antes do anúncio do prejuízo na prospecção de petróleo, Eike correu para a Bolsa de Valores para captar recursos , no fervor da alta valorização de seus papéis à venda . Porém, as figuras mais próximas ao empresário, entre os quais o Pedro Malan ( ex- ministro de FHC) vendiam suas participações do Grupo EBX, temendo futuras perdas com as quedas das ações. Quando o mercado soube que Eike não tivera mais condições de honrar seus acionistas em virtude do prejuízo com os poços, que renderam pouco retorno, este amargou uma enorme perda. Para não fechar as portas, Eike Batista pediu recuperação judicial, recurso que se aceito, permite que a empresa tenha um tempo para se ajustar até ter condições de honrar seus credores .De 30 bilhões, sua fortuna caiu para 300 milhões. Continua rico, melhor que qualquer brasileiro simples ,porém sem a credibilidade que todo empreendedor precisa ter na praça quando precisar levantar recursos para investir. O ato de ter sonegado informações aos seus investidores lhe custou caro.

Diogo Mainardi foi sagaz em desconfiar da euforia que girou em torno do Eike Batista.
 As torneiras do BNDES ,se serviu para ser um fiador do grande empresariado, não funcionou

A que se deve essa subida e queda do empresário? Provavelmente o BNDES se prestou ao papel de fiador do grande empresariado. E quando Eike Batista adquiriu crédito fácil do banco estatal com juros subsidiados, aplicou e isso rendeu grana. Porém  sua agressividade não esteve de mãos dadas com a prudência e ao arriscar, não  conseguiu ir adiante. Ou, o que vem fácil, vai fácil. Pelo fato de não investir com os próprios recursos, não teve o devido cuidado que todo empreendedor deve ter: os recursos são escassos. E quando a fonte acabou (BNDES), veio a bancarrota

Benjamin Steinbruch, em entrevista para UOL com o jornalista Fernando Rodrigues, insinuou que poderia votar em Dilma Rousseff em 2014. E não é para menos. A CSN tem uma dívida de 32 bilhões de reais, em um contexto de desvalorização das commodities brasileiras, o que prejudica sus negócios . O emprsário pode precisar dos bancos estatais.

A intervenção do Estado na economia nunca é boa. E intervenções no setor de crédito para transformar financiadores de campanha em mega empresários cria um incentivo perverso, pois condiciona o empresariado a depender mais do Estado e menos do mercado.

Os 7 erros de EIKE, segundo a revista EXAME
http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1045/noticias/os-7-erros-de-eike

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