O bandido estatal

Policial militar age covardemente contra uma mulher em uma agência do Banco do Brasil.
Nenhum argumento de autoridade justifica o abuso de poder 

Um vídeo recente , gravado em uma agência bancária na Vila Olímpia, em São Paulo, flagrou um policial militar, identificado como Aquino, agredindo uma mulher por ela ter se recusado a sair da porta giratória, que travou quando ela tentou entrar na agência. A médica Claudia Vieira Moss tem um pino implantado no braço , e ao tentar explicar sua situação aos funcionários do banco, foi impedida de entrar na agência  pelo gerente. Na esperança de ter seus direitos respeitados e garantidos, solicitou a força policial para resolver sua situação. Ironicamente, o policial, ao invés de atender á sua solicitação, agiu com autoritarismo e covardia ao puxar a mulher pelo braço e jogá-la no chão. A atitude do policial,  que reagiu como um bandido ”legalizado”, reflete a falta de disposição destes profissionais para mediar conflitos e lidar com a sociedade.

Segundo nota da corporação, o soldado foi expulso da Polícia Militar, mas é incerto se ele responderá criminalmente pela agressão que cometeu, pois geralmente as leis que regem os crimes e abusos cometidos por policiais são brandas, o que cria incentivos para que tais atitudes deixem de ser eventuais exageros e passem a ser o modus operandi da polícia, como se já não bastasse a herança autoritária que a corporação, fundada em 1968 pelo presidente Costa e Silva, carrega até os dias atuais.

Muitas pessoas , ao presenciarem agressões covardes de policiais- civis ou militares- alegam que tais ações são fruto de um ”despreparo” profissional, como se os policiais não fossem psicologicamente treinados ao mediar conflitos. A bem da verdade é que o exercício da agressão está embutido no procedimento policial, pois se a agressão resultasse de um eventual destempero, situações como essa seriam exceção , não a regra. A agressão contra a senhora Claudia Vieira é mais um dos diversos casos da repressão autoritária da Polícia Militar, cuja atuação parece não conhecer os limites da lei, se é que elas servem para a PM.

O policial não se vê na obrigação de respeitar a sociedade que paga o seu salário.  O lema é a manutenção da ordem pública a qualquer custo. Ainda que muitos profissionais da corporação abominem a atitude truculenta, os erros de poucos policiais comprometem e reputação dos demais, e isso faz com que a sociedade não confie nos policiais, que em certa medida são importantes para zelar pela ordem pública.

O mesmo ímpeto que levou o policial do Banco do Brasil  a agredir a médica é o mesmo do policial Henrique DIas Bueno de Araújo, que matou o camelô Carlos Augusto Muniz com um tiro na cabeça, quando este participava de uma manifestação com outros colegas na Lapa . O camelô tentou, segundo relatos, arrancar o spray de pimenta de um dos PM’S. Porém, um disparo na cabeça configura uma reação desproporcional. Um crime.  A função da Polícia naquele momento foi desfazer a manifestação, e existem recursos apropriados para isso, como balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio. O policial que matou o vendedor ambulante foi detido, mas foi solto em seguida. E mais uma vez, a sociedade sente a sensação de impunidade, não apenas em relação aos bandidos, mas em relação aos que , munidos de fé pública , desonram suas atribuições a agem como criminosos. Até onde isso nos levará? Tal pergunta não tem resposta no momento. Porém, as pessoas podem chegar à conclusão de que não poderão contar com o Estado para se se sentirem seguras e recorrerão a meios para se protegerem por contra própria. Se as leis não chegam até os criminosos e nem aos policiais que cometem crimes, para que servem as leis? A quem servem as leis?

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/09/1520381-justica-manda-soltar-policial-militar-que-matou-camelo-em-blitz-na-lapa.shtml

http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/pm-agride-mulher-em-agencia-bancaria-em-sp-e-e-expulso-da-policia-04024E9A3562D8A15326?types=A&

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2015/05/04/internas_polbraeco,481849/mulher-e-agredida-por-policial-em-agencia-de-banco-em-sao-paulo.shtml

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