O Foro de São Paulo


Para uns, um covil de golpistas. Para outros, uma seita de comunistas fora de época
que não se recuperaram da ressaca soviética

Fundado em 1990 pelo PT, Fidel Castro e as FARC, o Foro de São Paulo é uma agremiação formada pelos  grupos e partidos de esquerda da América Latina, que focou desde a sua origem em estabelecer uma estratégia, baseada em uma diretriz ideológica unificada a todos os signatários, para  conduzí-los ao poder de forma coordenada e de mútua cooperação entre os que realizassem tal façanha. A agremiação surgiu em uma conjuntura internacional desfavorável ao ideário socialista. O muro de Berlim foi derrubado em Novembro de 1989, a URSS ruiu no fim de 1991 e desde os anos 80  o bloco não enviava mais recursos à ditadura cubana. As políticas neo-liberais do presidente Ronald Reagan e da Margareth Tatcher , no fim daquela mesma década, serviram de inspiração para os países adotarem o modelo econômico que fazia oposição ao Socialismo. Tal conjuntura internacional junto com o fim da União Soviética geraram uma crise de referência para as esquerdas no mundo. Na ausência da maior vitrine socialista que servia de inspiração e modelo , as lideranças políticas da América do Sul trataram de se articular para sobreviver em um mundo onde a economia capitalista se mostrou vitoriosa, discutindo a adaptação das idéias em uma realidade menos aberta à proposta revolucionária da esquerda. Mesmo após a derrocada do Socialismo nos diversos países que experimentaram tal modelo,  o Foro de São Paulo nunca abandonou a pretensão revolucionária e sempre a cultivou.  Mas seus signatários estavam cientes de que para chegar ao poder seria necessário respeitar o processo democrático que foi instaurado após o fim dos regimes militares e que os métodos classicamente adotados pelos grupos radicais ,que almejam o poder para implementar o socialismo,  não deveriam ser adotados.

A estratégia seria os partidos consolidarem suas influências nos movimentos sociais, com uma roupagem progressista, de forte apelo social, para chegar ao poder pelas urnas. Do contrário, as esquerdas poderiam sofrer outros golpes de caráter contra- revolucionário. Os integrantes do Foro levaram tão à sério a estratégia de poder que quando o Hugo Chavez tentou dar um golpe de Estado em seu país, em 1992, ficou suspenso de participar das reuniões da agremiação até chegar à presidência da Venezuela, em 1998.  Isso mostra que os partidos que almejavam o poder, desde os anos 90, não quiseram passar a impressão de serem simpáticos às práticas golpistas. Antes do Foro, alguns partidos de esquerda não acreditavam que seria possível chegar ao poder pela via democrática. Muitos revolucionários entendiam que a Democracia não passava de  um  mero produto burguês, rezão pela qual era considerado um entrave à pretensão socialista das esquerdas da América Latina. E muitos ainda cultivavam o método da tomada do poder pelo caos e pela luta armada,da mesma forma como ocorreu na Revolução Russa, de 1917.


Lula, em discurso na edição do Foro de São Paulo, na capital paulista, em 2013

O método mais eficiente que foi utilizado  pelos partidos da América Latina foi trabalhar com a mobilização das massas e exercer influência  sobre suas lideranças, e tomar para si a reivindicação das suas pautas. Desde então, passou a ser uma tradição usar os movimentos sociais como um  trampolim de projeção política para os que desejassem o poder. No plano retórico, as lideranças partidárias que chegavam ao poder relembravam seus tempos de militância para reforçar na mente de seus eleitores a idéia de que sempre foram simpáticos à democracia, com o intuito de alastrar os valores de esquerda na sociedade, no âmbito cultural, e colocar um abismo ideológico entre eles e os militares que governaram nos tempos de repressão.

Outra característica do Foro de São Paulo é a integração continental entre os países parceiros. Isso está claro nas relações que o Brasil tem com a Venezuela de Nicolas Maduro, a Bolívia de Evo Morales e a Cuba de Fidel Castro. Estes 3 países recebem apoio financeiro do Brasil desde os tempos do então presidente Lula, pois faz parte da agenda do Foro a cooperação de um país para o outro, no intuito de evitar que o país no qual se envia a ajuda não perca a popularidade e saia do poder. Exemplo mais recente foi a utilização, por parte do Governo do PT,  do dinheiro depositado no Fundo de Pensão dos servidores dos Correios para comprar ações em empresas estatais da Venezuela. Dada a crise no país, a Venezuela não tem condição de honrar os acionistas que compram seus títulos. Isso mostra que o Governo brasileiro se posiciona como um escoador de recursos para sustentar os regimes bolivarianos .  Outro exemplo é o programa Mais Médicos, vindo de Cuba. Estre programa , contratado pelo Governo brasileiro, envia à illha de Fidel Castros 1 bilhão de reais ao ano, sob regime de trabalho precário e semi-escravo, já que o médico, se for de origem cubana, recebe menos de 2000 reais estando hospedado no Brasil, enquanto que o valor de seu contrato estipula a quantia de 10.000 reais ao mês. A diferença vai para o Governo cubano,um claro sinal de colaboração financeira com o regime de Fidel Castro.

Ao analisar a agremiação das esquerdas da América Latina, sem fomentar qualquer teoria de conspiração, o fato é que os países, incluindo o Brasil, seguem uma diretriz ideológica  que de alguma forma está acima dos interesses nacionais das respectivas nações submetidas a tais governos. Se o Brasil fornece recursos para Venezuela, Bolívia  e Cuba sem o consentimento da nação, somos nós que perdemos, pois tais aportes vem dos impostos que pagamos. Se o Foro de São Paulo articula um possível golpe comunista, como muitos especulam, não temos  certeza. Mas algo é certo de se afirmar:  o fim da União Soviética não foi suficiente para sepultar na mente das lideranças bolivarianas o sonho pelo Socialismo.

Parecer do jornalista Breno Altman, do Ópera Mundi, sobre o Foro de São Paulo http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/30342/por+que+a+direita+odeia+o+foro+de+sao+paulo.shtml\

Artigo do colunista da Veja, Felipe Moura Brasil, sobre o Foro de São Paulo
http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/03/24/conheca-o-foro-de-sao-paulo-o-maior-inimigo-do-brasil/

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4 comentários em “O Foro de São Paulo”

  1. Talvez seja melhor descer umas “Operações Condores” no lombo de alguns jovens e desinformados neoliberais para a “união da América do Sul” se transformar numa neo ditadura continental, como, aliás já houve!

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    1. Ninguém falou em “operação condor”, nem encontrei nada no texto que remeta a defesa de volta da ditadura militar. É apenas um texto informativo.
      Mas se o que sabemos sobre o Foro de São Paulo é “desinformação” então nos esclareça. Diga qual informação está incorreta.

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      1. Maria, infelizmente, muitos ainda insistem em definir o que é o pensamento de direita basado naquilo que representou a Ditadura Militar.
        Como você vem viu, eu tentei ser o mais esclarecido para dizer o que é o Foro de São Paulo e suas pretensões, e como seus signatários governam em seus respectivos países. No entanto , tanto a direita quanto a esquerda insistem em definir o que é DIREITA tendo o modelo de sociedade que apreciava os tempos de repressão. Eu, atualmente , me identifico com a a direita e não tenho nenhuma simpatia pelos governos militares.

        OBS: desculpe a demora por responder. Boa madrugada.

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  2. Colega, em primeiro lugar, não tenho a menor simpatia pelo Regime Militar e tampouco compactuo com figuras nostálgicas.
    Escrevi o texto sobre o Foro de São Paulo sem qualquer preconceito ideológico. Se você costuma encontrar ”liberais” que ferem a liberdade, eu entendo sua indignação. Existem liberais que atrapalham todo e qualquer debate saudável.
    Sim, o militares , nos tempos de repressão, trabalharam em colaboração com as outras ditaduras da América Latina. Mas este espaço não fará qualquer menção positiva ao Regime Militar. Por favor, releia e verás que não fomento nenhuma teoria conspiratória.
    Este espaço confere plena liberdade àqueles que interagem. Boa tarde.

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