O sintoma do anti-petismo

O grupo Movimento Brasil Livre hostilizou 3 jornalistas da Carta Capital que queriam entrevistar os integrantes. Isso é outro sintoma do anti-petismo: pisar na liberdade de imprensa e na livre iniciativa destes trabalhadores. O MBL agiu da forma com a qual eles acusam o PT: com censura e ódio

Apesar de eu ser anti-petista, confesso que, pela primeira vez, o anti- petismo me assusta. As bandeiras que estão sendo levantadas nos protestos para acusar o atual Governo não servem para tirar o prestígio do PT, pois além de serem genéricas, não são suficientes para sensibilizar o povo. Os protestos estão muito centrados na denúncia da corrupção, dando a entender que isso é causado pelo partido que está no poder, e não no sistema que criaria incentivos para que a roubalheira acontecesse, não importando quem estivesse exercendo tal poder.

Os fatos mostram que discurso de corrupção não tira o PT do poder. Após o mensalão, Lula se reelegeu, recuperando a popularidade que conquistou antes do escândalo. E naquela época a conjuntura econômica era favorável ao Governo: Dólar baixo, ganhos de salário mínimo, crescimento razoável do PIB, inflação nas rédeas, commodities valorizadas no exterior e desemprego caindo. Porém, isso não quer dizer que o povo não tolere corrupção porque a barriga estava cheia e o leite das crianças estava garantido. As pessoas que não costumam acompanhar política com frequência tem a idéia de que todos os políticos são propensos à corrupção, a roubar e a tirar vantagem pessoal do cargo público. Logo, se destaca aquele que faz algo de bom, aparentemente, para as pessoas. É o típico ”rouba mais faz” . Observando deste ponto de vista, a ideologia tem pouco peso de importância na orientação do voto.

Mas parece que os manifestantes que tem ido à Av. Paulista não conseguem enxergar a realidade para além de seus interesses pessoais. É compreensível o sentimento e revolta de alguns cidadãos que pagam seus impostos e os vê sendo gastos pelo Governo para financiar as próprias campanhas ou para distribuir benécias para líderes da base de apoio no Congresso. Então essas pessoas deveriam ir às ruas pedir por redução de impostos, certo? Não foi bem isso que ocorreu. Não houve uma única bandeira nas manifestações que tenham levantado os valores liberais, como a redução do Estado, redução da carga tributária ou o livre mercado. Haviam apenas dizeres como ” fora PT”, ”FORA DILMA”, ”fora Foro de São Paulo” e ” vai pra ”CUBA”, Ou seja, o sentimento de mudança concorre com o anti-comunismo. E vale lembrar que alguns carros de som pertencem a grupos que pedem intervenção militar, o que abre espaço para a extrema direita exercer sua pauta mais radical.

Marcha da famíli, sem Deus, contra a liberdade
Manifestante adepto dos militares ostenta o livro do professor Olavo de Carvalho , com fervor ideológico

A Esquerda, de algum modo, tem tirado proveito ao afirmar que o público das manifestações anti PT seriam de ” direita”, simplesmente usando o critério do anti-petismo e nada mais. Ocorre que os valores pertencentes à direita sequer tomaram destaque. É mais fácil um manifestante escutar que a Petrobrás tem um rombo de 4 bilhões do que procurar saber quanto ele paga de impostos e quanto vai para Brasília.

São Paulo é um reduto eleitoral historicamente anti-petista. É o Estado mais rico da federação, e é o que paga mais impostos. Dos 70% de impostos que vai para o Governo Federal, 45% vem do estado de São Paulo. Ou seja, os paulistanos teriam motivos relevantes para protestar contra o Governo, independentemente do partido que estivesse governando. Mas os grupos organizados, que se declaram de direita, escolheram fomentar o sentimento anti-petista, e não o sentimento ”anti-Estado”, o que seria mais coerente com o Liberalismo. O resultado desta escolha é que muitas pessoas estão sendo convencidas de que o único é problema do país é o PT , e sua queda é a única saída. Porém, se a presidente Dilmar sofrer IMPEACHMENT, e nada mudar, estaremos condenados a ter um outro presidente inclinado aos mesmos vícios de um burocrata, não por ser pior do que a Dilma, mas por comandar uma máquina pública cuja estrutura oferece incentivos para que a corrupção seja impune. Estado muito grande é um deles, pois um único presidente não tem poder sobre tantos caciques.

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