O capitalismo de Estado na prática

    A linguagem corporal entre a presidente Dilma e o empresário Eike Batista reflete bem a promiscuidade que reside na confusão entre o interesse público e privado quando a economia de mercado é desprovida da liberdade. Essa é a essência daquilo que se entende por Capitalismo de Estado

Ao contrário do que pensam os esquerdistas mais ufanistas, a queda das ações da Petrobrás não se deve a uma conspiração da ”elite branca”, da imprensa capitalista ou golpista. Tal prejuízo é resultado de uma governança baseada em preceitos ideológicos que não cabem em uma economia de mercado. Uma empresa que não gera receita e ao mesmo tempo submetida ao controle de um governo hostil ao lucro e à riqueza não poderia ter outro destino senão a bancarrota. Nenhum empreendimento sobrevive se os custos de operação são maiores que as receitas levantadas. Mas , claro, a Petrobrás não irá quebrar pois, sendo a empresa uma estatal, parte do prejuízo de 332 bilhões ( dívida da Petrobrás) serão cobertos com os nossos impostos.

Essa é a razão pela qual o PT e os demais governos bolivarianos da América Latina defendem estatais fortes e monopolistas: para ter um pretexto para enfiar a mão no bolso do contribuinte em caso de haver prejuízo em suas gestões. Creio que isso não seja difícil de entender. Quer um exemplo? Da mesma forma que o Governo tirou 10 bilhões do Tesouro , no ano passado, para fixar artificialmente o preço da tarifa de energia, o mesmo foi feito com a gasolina. Ou seja, o modelo estatista de prover esses bens à população se mostra, mais uma vez, inútil. A Petrobrás , ao represar a tarifa da gasolina por tanto tempo acabou por afastar os acionistas e  investidores, devido ao tamanho da atual dívida.  E  o Tesouro não pode ficar sustentando um rombo fiscal durante muito tempo, pois do contrário as outras áreas nas quais o Estado atua podem sofrer cortes como os que ocorreram na saúde e na educação (FIES e PROUNI) no começo de 2015.

Há 30 anos ,o modelo de gestão baseado em controle de preços deixou um rombo para o Tesouro de 26 bilhões de dólares  ( valor contabilizado em 1993). Isso se deve , essencialmente, a 2 fatores:

  As distribuidoras, na época estatais, mantiveram as tarifas de energia a um valor inferior em relação aos custos de operação e geração de energia elétrica . O Tesouro foi acionado para cobrir a defasagem entre o custo e o preço de venda da energia. E como o preço não sinalizava ao consumidor o real custo de geração, distribuição e envio do recurso, isso estimulou o mercado a consumir mais energia ;
 O Tesouro foi utilizado para cobrir as dívidas acumuladas das geradoras , tambem estatais. E como as empresas não geraram receitas o suficiente para devolver o que pegaram emprestado, o Tesouro ficou em déficit. Para sanear parte do problema, foi necessário privatizar algumas empresas estatais, reduzir os gastos públicos , aumentar impostos e seguir à  risca, pelo menos nos tempos de FHC, o que ficou conhecido como tripé macroeconômico ( câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e mestas de inflação).

Porém, o que tem ocorrido na Petrobrás não se deve ao fato de o PT estar no poder, simplesmente. O mesmo ocorreu no PSDB e em qualquer Governo que use a estatal para financiar campanhas eleitorais ao lotear cargos de chefia na empresa para conseguir propina, oriunda das receitas da estatal.

O PT deve ser punido e seus dirigentes condenados, se comprovado o uso do recurso público da estatal para fins partidários, devido ao aparelhamento da empresa pelo Governo. Mas se a estatal não estiver blindada da interferência dos governos e dos loteamentos, qualquer gestão após Dilma Rousseff se valerá da corrupção e do uso privado da Petrobrás, mesmo que esta seja pública.

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