A farsa de Benjamin Netanyahu

Ao discursar no Congresso norte-americano no dia 3 de Março, o premiê israelense insiste em convencer o mundo de um inimigo que só existe em sua imaginação: o Irã.  Munido do discurso belicista contra o país persa, Benjamin Netanyahu parece querer chamar a atenção do mundo  ao colocar em constrangimento o Governo iraniano, acusando-o de estar fabricando uma arma nuclear para destruir Israel, hipótese que jamais fora sustentada por nenhuma evidência. E ao bater de frente com Barak Obama eu seu próprio país, pôe em risco as relações diplomáticas entre os EUA e Israel, ao mesmo tempo em que estimula discórdia entre  o Irã e seu principal aliado .

A tensão em torno do programa nuclear iraniano começou em 2010, quando  o então presidente Mahmmoud Ahmadnejad iniciou o processo de enriquecimento de Urânio e inaugurou 2 usinas nucleares para iniciar o processo e realizar pesquisas científicas.
O enriquecimento de Urânio, segundo o atual presidente do Irã, Rassan Rouhani, visa unicamente o abastecimento do país para provisão energética e produção de rádionuclídeos, substâncias radioativas em estado líquido que são administradas em procedimentos clínicos.

Deste então, as discussões entre Obama e Ahmadinejad não prosperaram devido ao discurso hostil do ex-presidente iraniano contra os Estados Unidos e Israel, atitude que alimentava a retórica vitimista do premiê israelense.
Sua presença no Governo do Irã  suscitou desconfiança após ter declarado vários dizeres de ódio contra os judeus.  Além de ter dito que Israel deveria sumir do mapa- o que lhe custou uma cadeira na ONU-,  não reconheceu o Holocausto, o que provocou revolta e indignação em várias parte do mundo. Na tentativa de tirar proveito político no antissemitismo de Ahmadnejad, Netanyahu cogitou até em invadir o Irã , alegando um ataque preventivo, mas o premiê sofreu forte resistência da sociedade israelense e do MOSSAD, serviço de inteligência do país, que afirmara na época que o Irã não estava em fase de produção de armas nucleares. Além do contraste entre o Mossad e o Netanyahu, nunca houve um concesso entre as lideranças israelenses sobre a hipótese de um ataque nuclear deflagrado pelo Irã.  O ex-chefe do Mossad, Meir Dagan, não só se opôs à invasão de Israel no Irã, como tambem não viu sentido no alarde provocado pelo primeiro ministro de Israel.

 

benjamin-netanyahu-bomb-cartoon

Esta foto foi a piada de 2012. O cúmulo do ridículo.

No entanto, algo inédito surgiu há poucos dias. Uma quantidade de dados vazados , resultado de  espionagem sobre grupos terroristas , foi compatilhado entre o serviço de inteligência da África do Sul e o Mossad . No relatório de autoria do Mossad consta que o Irã estava trabalhando com uma taxa  de enriquecimento de Urânio abaixo da necessária para se contruir uma bomba nuclear, fato que pôe em cheque a retórica vitimista de Benjamin Netanyahu no cenário internacional. O fato foi divulgado pelo jornal inglês The Guardian e pela rede de TV Al Jazeera e ambos os veículos tiveram acesso aos dados vazados.

É difícil saber quando este impasse no Oriente Médio terá fim. Os Estados Unidos tem todo o interesse em dar um desfecho pacífico no acordo nuclear; o Irã quer que as sanções econômicas impostas pelos EUA sejam anuladas, mas para isso , precisa convencer a outra parte do acordo de que não visa a proliferação de armas nucleares, já que o país é signatário do TNP ( tratado de não proliferação de armas nucleares); Israel mostra resistência em reconhecer a necessidade de diálogo com o Irã.

Porém, se Netanyahu cair no ridículo ao não ter mais crédito em seus apelos, os EUA ficarão mais sossegados para protagonizar o acordo nuclear com o Irã.

 

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7 comentários em “A farsa de Benjamin Netanyahu”

  1. Mesmo com todos os seus erros e pecados, é melhor apoiar o Netanyahu e o Estado de Israel que apoiar os malditos e desgraçados árabes. Todo árabe é um criminoso em potencial, islâmico ou não, todos lixos. Também pudera! Carregam a maldição do filho maldito de Abraão; Ismael. O mesmo desgraçado que tentou matar seu irmão Isaque, o Filho da Promessa, e foi merecidamente amaldiçoado por Iaweh. Viva Israel e o Sionismo! Abaixo a farsa palestina e o Islamismo!

    SHAVUA TOV!

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  2. Marcelo, não entendi a expressão ” desgraçados árabes”. Na sua opinião, um indivíduo é definido pelo grupo étnico que pertence? Suas perspectiva é um tanto religiosa, perspectiva esta que explica o seu ódio aos árabes. Além de ser descabida, Não é a base da análise do artigo. Todas as críticas são bem vindas, no entanto, minha crítica sobre o conflito Israel x Palestina ou Oriente Médio não leva em conta questões religiosas, mas apenas os fatos reais. Até mais.

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  3. Bem, meu caro amigo, não que todos os árabes sejam uns desgraçados, mas a maioria, infelizmente, são, pois odeiam judeus e cristãos, sem falar também que árabes, em sua maioria absoluta (99,9%) são COMUNISTAS! Os maiores agentes dos governos comunistas da Guerra Fria foram os árabes-islâmicos (Yasser Arafat que o diga, afinal, ele espionou para os soviéticos Breznev e Kruchevsk e o romeno Ceausescu). Israel, embora tenha nascido com bases socialistas, desde que alinhou-se com os EUA, adotou uma postura conservadora, bastante reacionária, e hoje, é uma nação capitalista, empreendedora, onde o livre mercado funciona a todo vapor, enquanto o mundo islamo-árabe chafurda na miséria socialista (OK, tem Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e Barein, monarquias milionárias sustentadas pelos petrodólares, mas são países socialistas ainda assim, no caso, praticam o chamado Socialismo fabiano). Eu, como católico, que pretende em breve converter-se ao Judaísmo, pois sou bisneto de judeus por linha materna, apoio o Estado de Israel e seu legítimo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, não somente por questão religiosa, mas de justiça também. Todo cristão que se preze deve apoiar Israel e abominar a Palestina, um país artificial, inexistente, criado por um maligno imperador romano pagão para desacreditar os judeus do mundo, tirando deles qualquer ligação com a Terra Santa. Paz na Terra aos homens de boa vontade! Que a luz de D’us esteja com você hoje e sempre! Amém e Shavua Tov!

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    1. Colega, eu não li sua resposta, mas lerei e responderei. De fato, não tive tempo de arrumar este site. Mas responderei.
      Mas dica: nem todos que apoiam a causa palestina sejam de esquerda, ainda que historicamente foi a esquerda que adotou esta causa.

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    2. Marcelo, de onde você tirou que os árabes odeiam cristãos de judeus? Ninguem é determinado pela crença, pelo povo ou pela cultura. Existe mais diferença entre Síria ( Estado laico) e Arábia Saudita ( Estado absolutista e religioso) do que entre nós. Acho que vc está se baseando em pequenas evidÊncias e generalizando para todos os casos e para todos os árabes , o que não é verdade.

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    3. Os países árabes não são socialistas. De onde tirou isso?
      Há diferentes países árabes, com diferentes níveis de desenvolvimento.
      Israel nunca foi socialista. Acontece que os ”pais fundadores” eram intelectuais de esquerda. Não me lembro destes nomes. Mas nunca foi socialista.

      Marcelo, em se tratando de Oriente Médio, você não pode usar um espantalho ou um modelo de explicação que seja adequado À sua ideologia pessoal. Devemos separar a paixão da análise.

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    4. Marcelo , o que define um indivíduo não é sua crença, mas suas atitudes. O fato de vc ser católico não faz melhor ou pior do que judeu praticante. O verdadeiro cristão ( se existir , o que duvido muito) JAMAIS deveria ficar do lado de Estado de Israel, dado os crimes de guerra que o país cometeu contra os árabes palestinos. No entanto, isso não tira a legitimidade de Israel como Estado nacional, porém, isso não é motivo que sirva para apagar os palestinos do mapa.

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