Eduardo Cunha e o ” bolsa- madame”

Joice Hasselman dá seu parecer a respeito de Eduardo Cunha fazer graça com os seus pares , só que com o chapéu alheio.

Se existe algo que é tipico de burocratas é acreditar no mito do ”Governo grátis”,  onde os recursos são infinitos e que as lideranças políticas não precisam poupá-los para o futuro, pois sempre haverá o pagador de impostos ávido a aceitar as canetadas de quem as impõe do andar de cima.  Estes seres, por serem representantes dos que os elegeram, acham que podem abusar da prerrogativa de aumentar os impostos a qualquer momento, de maneira indiscriminada, e de inventar novos tributos para bancar a farra que eles usufruem.

A cultura política de viver às custas do contribuinte é algo tão nefasto  que  não existe limite para tal vício. Deputados federais ganham  mais de 33.000 reais só de salário, ganham vários auxílios para manutenção, além da verba de gabinete , cujo valor é superior aos próprios vencimentos, além de seus respectivos partidos serem sustentados pelo Fundo Partidário, quantia que serve para sustentar os partidos oficialmente registrados no TSE. Ou seja, são benefícios que criam incentivos perversos para que qualquer partido, sem qualquer plano de governo ou ideologia, se regularize com o objetivo de viver à base de recursos públicos.

Obra do escritor Paulo Rabello, lançado ano passado.
Este livro deve servir de lição para que o país aprenda a máxima proferida pelo economista Milton Friedman, a de que não existe almoço grátis. Os serviços que a nação utiliza são bancados por todos.

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Cunha ( PMDB), tentou liberar uma verba para custear as passagens aéreas das esposas dos parlamentares, causando aumento de gastos na casa. Dada a má repercussão do benefício, o parlamentar voltou atrás e está negociando a possibilidade de tirar da pauta. Porém, como ele foi eleito recentemente presidente da casa, pode ser que o Cunha esteja refém dos favores que poderá ser obrigado a cumprir, já que a ele foi confiada a missão de ser mais um líder oposicionista contra a Dilma Roussef, apesar de seu partido ser o principal pilar da coalização do Governo. Ao ser eleito presidente da Câmara, seu poder de barganha diminiu pois pode ser pressionado a prestar favores aos seus colegas de casa, dentre os quais a manutenção desta regalia, cuja despesa deveria ser assumida pelos próprios parlamentates. E quem  apostou todas as suas fichas no Eduardo Cunha, achando que o nobre deputado fosse diferente dos demais apenas porque virou um desafeto do PT, se enganou, pois ele vive  à base do mesmo vício político: o de viver às custas da sociedade e achar que isso é moralmente justificável devido ao fato dele ter sido eleito democraticamente. É o discurso retórico usado por quase todos os parlamentares ou todo aquele que queira conferi significado às regalias que usufrui, cuja fatura é paga pelo contribuinte.

Como se não bastasse o deputado querer fazer cortesia com o chapéu alheio, Eduardo Cunha aprovou reajuste na verba de gabinete destinada aos parlamentares, com base no IPCA,  índice de preços ao consumidor, para corrigir a inflação acumulada nos últimos 2 anos. Ou seja, o trabalhador que batalha todos os dias e o empresário que investe, arrisca seus recursos e gera emprego  não podem se proteger da inflação, devido à incopetência deste Governo, mas os parlamentares podem aumentar suas verbas como bem entender para não assumirem nenhum custo pessoal.

São atitudes como essa que fomentam o mito do Governo grátis. Assim se deu quando a Dilma Roussef , no ano passado, propôs um projeto de lei que a anistiava do crime de responsabiliade fiscal. Seu governo extrapolou o Orçamento em 18 bilhões de reais. Gastou mais do que arrecadou, de modo que nem sobrou o  suficiente para pagar os juros da dívida pública, o superávit primário.

Figuras como o Eduardo Cunha e tantos outros são o símbolo daquilo que é de mais infame na política brasileira: estar dentro do Governo para criar privilégios a si próprio e mandar a fatura para o cidadão comum. Espero que , ao menos, a obra do escritor  Paulo Rabelo seja um raio no céu azul e promova um debate sobre o mito do Governo grátis.

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