Não existe energia grátis

  • O economista Vinícius Torres Freire faz um balanço sobre as novas medidas do segundo mandato da presidente Dilma, dentre as quais, o aumento da tarifa de energia e de impostos

 

Há quase três anos, Dilma Rousseff, movida por um ímpeto populista, decidiu reduzir em 20% o preço das tarifas de energia elétrica, sob o pretexto de dar mais acesso aos consumidores, no momento em que os contratos de concessão das distribuidoras estavam perto de vencer. A presidente, que parece não entender muito de mercado, impôs algumas condições para renovar os contratos: reduzir as taxas de retorno das concessionárias ( o que por si só, é um absurdo), manter o preço artificialmente fixo durante a vigência do contrato e investimento no setor para ampliar o acesso à energia. E é exatamente aí que reside o lado míope da mandatária,  pois o ato de investir depende dos bons resultados das concessionárias. Boas taxas de lucro possibilitam poupar recursos para se investir no futuro e  cobrir eventuais despesas operacionais, o que é impossível de se realizar se a tarifa de energia estiver abaixo do custo de operação.

Desde 2013, o Governo tem tirado dinheiro do Tesouro e da Conta de Desenvolvimento Energético ( fundo destinado a subsidiar a tarifa para a população de baixa renda)  para cobrir a diferença entre o custo assumido pelas concessionárias e o preço de venda da energia, mantendo fixa a tarifa ao consumidor final. Do Tesouro ,saiu 9 bilhões , e do CDE, 10,3 bilhões. Consultores, engenheiros e economistas já haviam alertado sobre a inviabilidade da medida ao perceber que a redução artificial iria estimular a demanda pelo recurso, uma resposta natural de mercado frente  ao estímulo populista do Governo, que não avaliou a relação entre oferta disponível de energia elétrica e demanda. Isso resultou na sobrecarga do setor, que ao perceber a necessidade de produzir e comprar mais energia, teve de recorrer às usinas termelétricas, cujo custo de produção é superior às hidrelétricas. E a falta de chuva nas regiões onde as energia é produzida ajudou a desequilibrar as contas das distribuidoras, que tiveram que arcar com mais prejuízos, pois ao comprar mais energia para atender à demanda, ficaram obrigadas a vender pelo preço fixado pelo Governo.

Em 2014, a receita se repetiu, e foram gastos 12,1 bilhões para manter a conta artificialmente baixa. Desta quantia, 10 bilhões vieram do Tesouro. Em outras palavras, em nome de se vender uma ilusão ao eleitor,  o Governo aumenta a dívida pública, torrando um recurso oriundo dos impostos que a população paga. Como tal modelo de interferência estatal no setor não funcionou, a nova equipe econômica da Dilma deicidiu recentemente cortar os repasses do Tesouro ao CDE, de modo a prometer poupar recursos para antender ao superávit  primário, uma quantia destinada a pagar os juros da dívida pública. Sem os repasses do Tesouro, isso só significa uma coisa, já esperada por quem já conhecia este Governo: aumento da tarifa de energia ,para cobrir o rombo que foi causado pelo desastre proposto por Dilma Rousseff.

Em plena campanha presidencial no ano passado, a então candidata à reeleição prometera de pé juntos que não iria haver uma onda de aumentos de tarifas. Infelizmente, o eleitorado que votou na Dilma acreditou no ”almoço grátis” e agora está diante de uma série de reajustes: aumento do imposto de renda, aumento da tarifa energética,  PIS/COFINS,  aumento da selic para 12,25 %, na gasolina e nas operações financeiras de cartão de crétido( IOF).

 Esta foto representa exatamente a forma como o Governo petista congelou o preço da tarifa de energia. Ao tirar do Tesouro os recursos que subsidiaram a redução da energia elétrica, no fundo o que o Governo estava fazendo era enfiar a mão no bolso do contribinte

Na verdade, o congelamento dos preços administrados pelo Governo visava maquiar os índices de inflação ( que já atinge mais que 7,5%) ,por puro interesse eleitoral. Diante do desaquecimento da economia, baixa produção da indústria -porque o setor vendeu pouco-Dilma , assim como muitos socialistas, acreditam que congelar o preço de um determinado produto ajuda a conter a inflação. Se inflação significa moeda desvalorizada ao longo de um período, quem congela o preço da taraifa que administra está, em outras palavras, assumindo um custo que não é visível no valor nominal da tarifa, simples. E para dar a sensação de que as contas públicas estão saneadas, a presidente, já reeleita, decidiu lançar o já chamado ”pacote de maldades” após as eleições. É a hora do repassar ao consumidor um rombo causado pelo próprio Governo.

Do ponto de vista econômico,  haveria outras formas de se baratear o preço da tarifa de energia sem recorrer  à intervenção estatal, que já se mostrou desastrosa. Se o Governo não tem aporte o suficiente para investir na produção de mais energia e atender a demanda, o caminho mais viável seria abrir o setor elétrico à iniciativa privada, oferecendo liberdade de empreendimento  ao respeitar não apenas as expectativas de retorno daqueles que arriscam seus recursos, mas aos planos de negócios das empresas interessadas em prover o fornecimento. Controlar margem de lucro não apenas espanta os investidores nos leilões, mas diminui o extinto animal que a presidente tanto cobrou dos empresários.  Ostentar uma visão soviética dentro de uma economia de mercado é governar baseado em crenças que já se mostraram falhas no século XX.

 

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8 opiniões sobre “Não existe energia grátis”

  1. Não existe imposto privado oficial, pode haver lucro para o público e existe uma parte podre do mercado que sempre atua de modo intervencionista sobre os governos …

    Muitos ignoram que a população pobre que paga impostos ( até mesmo cada mendigo o faz quando usa sua esmola para tomar um café com leite ou pão com manteiga e paga ICMS, IPI entre outros impostos embutidos no preço ) , o faz justamente para ter algum tipo de retorno para si mesma, principalmente para suas parcelas mais necessitadas. Curioso é alguém defender veementemente o retorno financeiro das concessionárias e não lembrar disso. Isto é feito por fome de justiça ou por pena destes “pobres empreendedores que ganham tão pouco” e são chicoteados para atender os favelados, os índios e outros grupos de “brasileiros e brasileiras”, “despossuídos” ou “descamisados” ? Pensar em cada habitante pagante seduz qualquer caspitalista. Não é mais absurdo vender e não querer entregar ? Alguma concessionária foi forçada com metralhadoras a assinar o novo contrato ? Eles tem contabilidade ou é tudo no chute mesmo para não largar o osso ? A função e a força de negociação do poder que representa oficialmente o público ( com diferentes graus de eficiência para algumas partes do público, que sempre querem a melhor parte para si ) é atender COM + TRATOS, através de contratos, que são tratos com as partes da iniciativa privada interessadas em atender este público, é buscar a maior vantagem para o público e não administrar ex-estatais para que estas obtenham o máximo de lucro para os seus novos donos que são da livre iniciativa privada. Exigir esta cumplicidade do governo é quase o mesmo que um assaltante armado exigir que sua vítima o ensine a administrar e investir o dinheiro do roubo… Acontece! Como alguém pode dar a entender que conhece as relações de mercado se não entende de contrato ? Será que as pobres concessionárias não previram cada item da crise ao assinar ? Consultores, engenheiros e economistas em geral também entendem
    de contratos. E todos sabem que não existe lucro ilimitado. Nem para o George Soros….

    Favelas se proliferam com a alegria das concessionárias de luz, água, gás, telefone, transporte e outros escorchantes e ineptos e insustentáveis serviços essenciais que mesmo com todos os gatos ainda amam os bolsos dos clientes que são apenas números a mais nos faturamentos rigorosamente planejados com a vista grossa das agências reguladoras alugadas pelos corruptores. Os governos tem sido cúmplices e reféns e como conhecem bem os zilhões destes faturamentos, aproveitam para pegar carona na extorsão tirando o seu através de impostos polposos como o que é cobrado sobre a conta de luz que chega a 30%. É claro que a preocupação é muito maior com o recebimento do que com o atendimento o que faz com as falhas sejam a regra e os preços subam ad Everest. Eventualmente alguém resolve romper esta barreira deste tipo de crime organizado e devolver um pouco de fôlego financeiro aos consumidores finais que pagaram inclusive para que toda a infra dos sistemas usados por estas empresas, todos os seus equipamentos e ativos fossem construídos de modo estatal para depois serem privatizados a troco de bananas para estas pobres vítimas estes inocentes empresários que não sabiam o que estavam comprando por 10% do valor dos antigos alimentadores do real populismo que prometiam menor custo e maior eficiência e alcance destes serviços se o Milagre das Privatizações acontecesse. Neste período a energia ainda não era de graça mas a população foi sendo levada a acreditar que seria se MercaDeus cuidasse dela e seus representantes, em troca de um dinheiro nunca visto, se apossassem das empresas públicas que eles suaram gerações pagando impostos para que fossem construídas. Estas empresas precisam melhorar sua forma de gestão para obterem lucros sem choradeira ou chantagem e sabotagem do serviço ao estilo do “boi-gordo no pasto” para valorizar seus serviços monopolizados tentando tornar ou o governo ou a população como refém da sonegação irresponsável de serviços, consequência das inépcias tecnológicas, científicas e administrativas que são consequências do comodismo gerado pelo lucro privado fácil que ainda querem que seja garantido pelos cofres públicos. Puxa vida, jamais algum empreendedor do planeta Terra maquiou balanços ou planilhas e orçamentos ou usou qualquer outro expediente fraudulento para esconder o lucro em caixas 2, 3, 4 e obter vantagens a partir de um alegado prejuízo principalmente se a vítima pagante for a grande e indefesa população vista como um rebanho cujo pastor governo deve ceder ou morrer. Por mais que alguns insistam o PT não inventou nem patenteou os governos. E as contas em todo mundo nunca pararam de aumentar desde o início da história da humanidade pelos mesmos motivos de sempre. Hajam malabarismos e estratégias criativas de gestão para compensar a fome monetária dos empresarionatários ávidos pelo dinheiro direto do público através de serviços capengas ( e sem concorrência real, monopolizados por estes corruptores com ajuda de seus corruptos que historicamente foram expressivamente oriundos das ditas direitas ) e também pelo dinheiro indireto do público que os governos acumulam como depositários e são assim pressionados para usá-lo a favor dos mesmos empresarionatários pseudo-capitalistas loucos pelas tetas financeiras da mãe população que escolheu ser representada por Dilma e também da parte que não escolheu. Vale lembrar a cada hipócrita que não foram os socialistas que inventaram os governos, nem o populismo nem os impostos, nem o controle do lucro alheio e muito menos as dívidas…Os primeiros surgiram outro dia no bonde da história recente. O restante existe desde quase sempre. E para isto ser atenuado o mercado precisa evoluir de fato e de menos bodes expiatórios tidos como lesa (destruidores da) pátria ou salvadores da pátria. Outro dia ouvi num coletivo sobre as evoluções do śeculo XXI : “Cuba venceu e os Americanos tiveram que negociar. Isto era para ser normal vindo de um país dito capitalista, negócios e mais negócios sem dores ideológicas. Os Soviéticos e os Chineses procuraram caminhos alternativos e mais flexíveis para manterem seu enorme poderio e avançaram em alguns aspectos importantes. A ceder e negociar com Cuba, Obama está tentando vencer a ideologia em prol do mercado e não dos pseudo-capitalistas pendurados nos privilégios cobrados como resgate de um governo chantageado e ameaçado. Kennedy não sobreviveu a isso. Força lá para o negão e para a dona da pensão aqui.”

    http://movimentodossemcapitalismo.blogspot.com.br/

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    1. Quando as empresas disputam o leilão para comprar a concessão sobre a distribuição de energia, os custs de operação são avaliados a priori. E o plano de negócio é baseado no tempo de concessão, custo de operação e taxas de retorno. Mesmo levando em conta o risco de investimento, tal valerá à pena na medida em que o Governo não realizar intervenções arbitrárias , pois tal iniciativa não consta nos contratos estipulados. E as intervenções do Governo no controle de preços não é vantajosa para qualquer empresa interessada no setor. FOi esta atitude ”soviética” da presidente DIlma que espantou investidores no leilão do pré-sal.

      Claro que a avaliação do empreendimento está sob responsabilidade da concessionária. Concordo com você. Mas se concordamos com isso, parece que o Governo pensa o contrário, pois usou dinheiro do Tesouro ( nossos impostos) para reduzir artificialmente a conta de luz, e isso estimulou mais gasto de energia. E como você bem frisou, é de responsabilidade da concessionário prover a demanda . Porém, a mesma não esperou pelo represamento da tarifa, e para atender ao consumo, teve de se endividar comprando energia nas termo-elétricas, cujo preço é superior ao das geradoras estatais.

      E cabe lembrar: os fins das empresas privadas são lucrativos, mais umn motivo para se levar em conta a capacidade de provisão energética antes de apelas para o Populismo eleitoral.

      E se é obrigação das concessionárias cuidar de seus respectivos negócios, não cabe ao Estado se me meter em uma atribuição da qual abriu mão no leilão.

      Eu sou super fã de de pagar pelas coisas pelo menor preço. Mas o caminho adotado por este Governo foi desastroso, pois ao reduzir a tarifa em 20%, o preço perdeu a referência dos custos de produção de energia. O governo poderia reduzir impostos que incidem na tarifa de energia ou abrir mais o setor para a iniciativa privada, para haver mais provisão.

      Eu não sou contra o Estado, quero deixar claro. Mas o custo de se produzir energia elétrica é elevado, e como o atual Governo não dispôe de poupança pública para realizar o investimento necessário, não vejo problema em atrair capital privado para o mesmo fim. Porém, recorrer ao congelamento de taxas cujo valor não recupera o capital investido só tenderá a espantar os empresário, pois não há vantagem em manter uma empresa privada sob intervenção estatal.

      Moral da história: se uma empresa privada tem prejuízos, quebra; se uma empresas estatal tem prejuízos, ela repassa ao contribuinte o ônus sob a forma de aumento de impostos. É o que está ocorrendo neste exato momento.

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      1. O controle de preços NÃO diminiu inflação, apenas escondeu uma parte dela durante o represamento . O PT apenas o fez por motivações eleitorais. Ou seja, se a inflação marcava mais que 6,5% ano passado, na verdade seu valor real estava superior a 7% . Se agora as tarifas de ônibus, luz e combustível estão aumentando, isso se deve ao fato de que recorrer a este artifício só aumentou o rombo do Governo e das empresas que detém a concessão para distribuir energia elétrica. Isso nunca funcionou. Vide o Governo Sarney, há 30 anos.

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      2. Observe a sexta linha do seu artigo que estamos discutindo :

        `A presidente,…, impôs algumas condições para renovar os contratos`

        Como relacionar isto com seu outro posicionamento :

        `… na medida em que o Governo não realizar intervenções arbitrárias, pois tal iniciativa não consta nos contratos estipulados… `

        Note, se uma coisa veio antes da outra, ou seja, a assinatura dos contratos aconteceu depois de o governo ter colocado todos os termos para renovar os mesmos, a demanda e o represamento da tarifa era de conhecimento das empresas administradas por profissionais do mercado. Ou administradas por picaretas cuja irresponsabilidade pode ser curada e justificada com embolorado anti-sovietismo, mais ainda por partidarismo / parcialismo tacanho para julgar o que um governo decidir…

        Apesar de eu ter mencionado que a conta de luz poderia deixar de ser supertributada por governos estaduais como o paulista uma vez que se trata de ICMS, deixo claro que empresas privadas, principalmente quando em sociedade com certos presidentes ou seus candidatos que fazem seu jogo de clientelismo, conhecem muitos caminhos para repassar a conta para o contribuinte. Uma delas vai de encontro ao pedido continuado de aumento injustificado maquiando balancetes e planilhas como mencionei na postagem anterior…
        Administrando mal, basta apelar ao socorro da escola keynesiana e aos cofres do governo conforme, mais uma vez, mencionei antes, bastando reconferir as postagens para confirmar…

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      3. André, eu estou cansado de reconhecer que existem empresários vagabundos que querem viver às custas do Estado ao aceitar que este participe de seus negócio. Isso acontece muito quando o Estado oferece participação da iniciativa privada para operar em setores de interesse público, como energia, estradas, portos, etc. E se algo dá errado, é conveniente culpar o Estado por qualquer desastre pois, ainda que a empresa escolhida para prover um determinado bem seja privada, esta tende a alegar que foi o Estado que distorceu a relação ” oferta x demanda” ao intervir em seus negócios caso algo dê errado. Este álibi é muito manjado.

        Porém, voce comete um abuso de linguagem ao dizer que todos os empresários pede socorro ao Estado em tempos de crise de ganhos financeiros. Em nenhum momento eu disse que as concessionárias não estavam CIENTES da condições IMPOSTAS pelo Governo da Dilma Roussef. Esta se comprometeu a cobrir a diferença entre o preço da tarifa de energia e os custos de operação das distribuidoras. Porém, como você bem sabe, controle de preços nunca fuincionou. No longo prazo , as empresas criaram déficits e o Governo assumiu por um tempo os prejuízos. Posso citar as razões. Pode voce concordar ou não.

        Se o Governo permitir que as empresas ganhem taxas de lucro mais atraentes, estes terão mais ímpeto em investir nas usinas, de modo a atender mais demanda, pois podem produzir mais energia, de modo que quanto maior for o atendimento, a empresa recolhe mais impostos ao Governo. No caso contrpario, se o Governo reduz artificialmente a conta de luz , sem olhar o conjunto de toda a capacidade produtiva do setor, a demanda será estimulada a gastar mais, as empresas produzirão mais emergia, assumindo mais custos,com risco de operar no limite da condição física do setor. Qual a tendência deste cenário? Apagão.

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  2. As concessionárias , que eu saiba, não se negaram a atender as faixas mais pobres de renda. O fundo que eu citei desempenha o papel de subsidiar a tarifa para essa população.O cerne da discussão reside no desastre governamental em estimular o consumo do recurso energético sem avaliar a capacidade de provisão das concessionárias.
    Eu não estou chamando osempresários de ” coitados”. Apenas reconheço que nenhum empreendimento é viável quando o retorno é menor do que os custos que a empresa é obrigada a assumir.
    Por favor, leia o trecho no qual eu citei a presidente obrigar as distribuidoras a aceitar a taxa retorno determinada por ela. Por acaso a Dilma entende de Física e Engenharia, além de Socialismo?

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  3. Obrigou ? São contratos… E cabe maior responsabilidade à qual parte verificar se tem como entregar / provisionar antes de assinar ? Avaliar melhor os custos de operação cabe mais a quem contrata ou quem é contratado para fazer o serviço ? Mesmo entendendo algo de mercado (muito mal pelo jeito), as concessionárias não podem querer administrar os fundos do governo e muito menos querer que o governo administre as finanças delas. Isso sim é que é um absurdo sem pé nem cabeça. Elas são organizações privadas com fins lucrativos ou não são ? Choram como se fossem apenas contribuintes, mas nestes contratos são apenas fornecedores, e que tem que ser responsáveis e negociar direito e melhor antes de assinar, já que depois fica bem mais difícil honrar o que não pensou ou levou em conta para fechar o negócio com o erário público. A ideia de obrigar é um reforço da ideia de ditadura estatal, mas os costume de muitas empresas ditas de uma economia de mercado é de pendurar nos cofres públicos e depois ficar reclamando em praça pública que o governo não lhes dá condições mais favoráveis, sonegando e ameaçando sonegar serviços contratados etc. Assim é muito fácil ser capitalista. Não precisa nem planejar para investir. Só assinar contratos com quem parece ter mais dinheiro ( no caso o dinheiro de todos, com o governo ) e depois ficar chorando e cobrando mais recursos extra-oficialmente e extra-contratualmente como uma forma de transferir a própria irresponsabilidade para as vítimas no caso de apagão ou crise. Ou ficar fazendo campanha eleitoral de um candidato amigo que possa lhes conceder ainda maiores favores. A propósito, os contribuintes, pelo menos durante um período, puderam tomar um fôlego e economizar e investir um pouquinho dos recursos obtidos através do “populismo”. Alguns podem até ter lucrado com isso, direcionando o desconto para alguma comprinha ou reforma. Ou quem sabe pelo menos conseguindo pagar as contas com mais tranquilidade e tendo luz para trabalhar e viver mais algum tempo com energia ao invés de corte. Aliás o “populismo” é concorrente do “clientelismo”, do “corporativismo” e do “fisiologismo” ou não ?

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  4. Abaixo um exemplo simples e instituído de intervencionismo de mercado sobre governo como mencionado nas postagens aqui.

    Qual é o gene da corrupção ? Este é o tema foco de uma campanha dop AVAAZ que está em pleno andamento. Podemos conferir como alguns setores promíscuos mercado-governamentais atuam para garantir que os concorrentes não tenham lucro, que os contribuintes tenham prejuízo através de privilégios em licitações e concorrências públicas além dos velhos contratos superfaturados. Não existe governo corrupto sem mercado corruptor:

    http://movimentodossemcapitalismo.blogspot.com.br/2015/02/o-gene-da-corrupcao.html

    “… Neste momento corre uma ação no STF que pode proibir empresas de doarem milhões para candidatos e partidos políticos. Especialistas dizem que esse é o “gene da corrupção” e, para combatê-lo, precisaremos de todos. 95% de todas as doações para campanhas eleitorais foram feitas por grandes empresas — inclusive as envolvidas no escândalo Lava-jato. É assim que as empresas investem para então ganhar em troca acesso ao poder e influência, mas isso está prestes a mudar.

    A maioria dos ministros do STF já votou pelo fim dessas doações, mas o processo emperrou nas mãos de um único ministro: Gilmar Mendes.

    Ninguém conseguiu convencê-lo ainda — e nessa segunda-feira ele volta ao trabalho. É o momento que precisávamos. Ele sabe que não pode segurar a decisão para sempre, mas sem pressão ele vai levando. Vamos surpreender o ministro na volta das suas férias e mostrar a ele que centenas de milhares de brasileiros se uniram contra o gene da corrupção. Assine para conseguirmos a maior mudança da política brasileira nos últimos anos — depois repasse para todos:

    https://secure.avaaz.org/po/o_gene_da_corrupcao_rb/?bGhCmcb&v=52902

    Se essa ação judicial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no STF for aprovada, nossa Constituição passará a dizer que só cidadãos podem escolher os representantes políticos. Hoje, os principais doadores acabam influenciando as eleições e são recompensados com a lealdade e contratos públicos generosos após seus candidatos serem eleitos. Pesquisas mostram que a cada R$1 doado por uma empresa a um candidato, R$8,50 retornam por meio de contratos públicos — um lucro exorbitante das empresas às custas de nosso voto.

    Os que se opõem à mudança dizem que se proibirmos doações de empresas, aumentará o fluxo de dinheiro pelo caixa dois, o que tornará investigações mais difíceis. Mas o caixa dois já existe hoje e pouco se fez para impedir que aconteça! Se empresas não puderem contribuir com candidatos, será mais simples detectar campanhas com muito dinheiro e o caixa dois deve secar.

    A lei permite que ministros peçam vista de um processo por apenas 10 dias, mas uma manobra burocrática vem segurando o julgamento já há 10 meses. Há indícios de que ele está esperando deputados que, assim como ele, são favoráveis ao dinheiro de pessoas jurídicas e preferem legalizar as doações de empresas mudando a Constituição de uma vez.

    Mas o que Gilmar precisa saber é que o Brasil não pode mais esperar! Junte-se a essa ação urgente agora — vamos engrossar o apelo da OAB com nossas vozes e abraçar essa chance de salvar o país da corrupção:

    https://secure.avaaz.org/po/o_gene_da_corrupcao_rb/?bGhCmcb&v=52902

    A relação entre o dinheiro e a política é um mal neste país. Mas cada vez mais, a voz do povo tem transformado os canais de poder e forçado por mudança. Foi assim quando ajudamos a aprovar a Ficha Limpa, com a PEC contra o voto secreto e muitas outras vitórias. Vamos nos unir mais uma vez e vencer mais uma batalha pela nossa democracia.

    Com esperança e determinação,

    Michael, Joseph, Diego, Nana, Carol, Maria Paz, Luis e toda a equipe da Avaaz

    Mais informações:

    Ação que proíbe doação eleitoral de empresas completa 10 meses parada no Supremo (Estadão)
    http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,acao-que-proibe-doacao-eleitoral-de-empresas-completa-10-meses-parada-no-supremo,1619273

    Financiamento de campanha dificulta reforma política, dizem especialista (O Globo)
    http://oglobo.globo.com/brasil/financiamento-de-campanha-dificulta-reforma-politica-dizem-especialistas-14404612

    Financiamento de campanha motivou desvios na Petrobras, avalia Toffoli (G1)
    http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/11/financiamento-de-campanha-motivou-desvios-na-petrobras-avalia-toffoli.html

    Empresas fazem doações para até oito partidos na mesma eleição (Rede Brasil Atual)
    http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/01/empresas-que-mais-financiam-campanhas-optam-por-doacoes-para-tres-partidos-8005.html

    Maioria do STF vota pelo fim das doações de empresas para campanhas (Folha de São Paulo)
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1434761-maioria-do-stf-vota-pelo-fim-das-doacoes-de-empresas-para-campanhas.shtml …”

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