O fisiologismo a todo vapor

  •  Gilberto Kassab pode ser visto como o articulador que reza uma vela para Deus de dia, e para o Diabo, à noite, sem qualquer sentimento de culpa

O partido do ex-prefeito de São Paulo, Giberto Kassab, é a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados, cacife o suficiente para ajudar na aprovação de projetos vindos do Executivo, razão pela qual ele optou por deixar de disputar cargos gerenciais para poder se dedicar ao crescimento de seu partido, o PSD.

Cria do tambem ex-prefeito José Serra, Kassab deu um vôo crescente na política ao assumir a prefeitura de São Paulo em 2006, exercendo um governo tipicamente conservador ( do ponto de vista social) e angariando a simpatia do segmento eleitoral anti-petista.

Ambicioso, emplacou o Guilherme Afif Domingos ( ex-PFL) na Secretaria da micro e pequena empresa, pasta criada justamente para acomodar no Governo aquele que , no passado, era um arqui-inimigo do PT.  Kassab tem trabalhado nos bastidores da política para criar musculatura e aumentar cada vez mais seu poder de barganha frente ao Governo, ou seja, oferece apoio em troca de participação na máquina pública. Uma espécie de atividade que é chamada de fisiológica, pois o ator político integra uma coalizão de Governo para receber em troca cargos de confiança, ministérios e diretorias em empresas estatais de maior envergadura. Nesta relação de poder, não há afininade doutrinária ou ideológica com quem está no poder. No fisiologismo, partidos que queiram apenas ”sobreviver” na cena eleitoral vivem às custas do Governo. Em outras palavras, às custas da sociedade. E aprovam projetos de interesse do Poder Executivo no Parlamento.

Essa tem sido a prioriade de Kassab: crescer nos bastidores, trazer deputados e senadores de outras legendas, apoiar o atual governo em troca de ajuda em pequenas cidades e permanecer assim até o momento em que sua legenda seja grande a ponto de impor resistência aos partidos classicamente fisiológicos, como o PMDB -o maior do Brasil- e o PCdo B, partido historicamente aliado do PT.

Antes de nos revoltarmos com burocratas que tem como objetivo prescípuo viver do nosso dinheiro, precisamos entender quais são os incentivos que permitem o surgimento de partidos um atrás do outro. Todo partido legalmente registrado recebe uma grana chamada Fundo Partidário, quantia destinada à ”manutenção” do partido, de origem pública, cuja quantidade é proporcional ao número de parlamentares eleitos. Além disso, o partido tem direito a um espaço reservado nos meios de comunicação para divulgar seu programa ( se tiver, claro) e propostas.  Os partidos maiores que estão ou já foram do Governo transitam entre SITUAÇÃO e OPOSIÇÃO. Porém, as legendas menores ,sem recursos suficientes apra encabeçar sozinhas uma disputa eleitoral em maior escala, oferecem seu tempo de TV e recursos para o projeto de uma legenda maior, e assim sobrevive na cena política. Em outras palavras, os partidos brasileiros são praticamente estatizados, pois vivem quase que exclusivamente de dinheiro público. Quando muito, ganham dinheiro de empresas privadas de grande porte.

Nem se esquerda, nem de direita, nem de centro

Esta é a frase que descreve a essência de políticos como Gilberto Kassab, que vivem em função do poder, sem qualquer proposta de Governo para melhorar o país

São incentivos como esse que fazem Giberto Kassab pensar em criar mais um partido, o Partido Liberal (PL), para atrair mais parlamentares e aumentar a nova legenda. Essa foi a brecha utilizada para tal façanha, já que a nova interpretação da lei eleitoral que regulamenta trocas de partido proíbe mudança de legenda sem justificativa razoável.  O mais provável é que o ex-prefeito venha a fundir a sua atual legenda com a nova, para burlar a lei eleitoral.

Recém- empossado ministros das cidades no Governo Dilma, Kassab prometeu fidelidade ao PT justamente em um momento em que a coalizão de Governo tem sido abalada pelas fissuras do PMDB, cuja ala mais rebelde tem ameaçado não obedecer a mandatária . Kassab pode tirar proveito desta situação para assumir maior protagonismo dentro do Governo. Enquanto as leis sobre criação de legendas não for modificada, criá-las será um grande negócio, pois é o meio através do qual um pequeno grupos de oportunistas vivem às custas de todos. Gilberto Kassab é apenas um sintoma do fisiologismo. Enquanto ptefeito, só aumentou a máquina pública, reprimiu violentamente os movimentos sociais, aumentou a tarifa de ônibus 3 vezes, aumentou IPTU, enfim , medidas que nada tem a ver com nome de sua nova legenda. Um péssimo legado de gestão pública.

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