A rotulocracia

Luiz Felipe Pondé,  Reinaldo Azevedo e Bolivar Lamonier ,discutem  os termos esquerda e direita, os pressupostos enraizados e as  experiências históricas baseadas em tais idéias

http://www.youtube.com/watch?v=stLjL4TJI1M ( parte 1)

      Tenho presenciado muitas pessoas defendendo suas idéias na base do de maneira fervorosa e intolerante, como se idéias e valores pudessem ser loteados de forma arbitrária, acima de qualquer debate e reflexão.  Ao pertencer a uma posição do espectro político, a pessoa se diferencia das outras escolhendo quais princípios os diferencia de seu interlocutor . Muitos intelectuais e militantes de uma determinada causa agem como se um catálogo de valores ou idéias , a priori, pudessem ser apropriados antes mesmo de se iniciar um  debate em torno de tais valores, no qual a emoção torna-se a variante que define a posição ideológica de ambas as partes. Nossa visão de mundo, a maneira como agimos e reagimos sobre os mais diversos  aspectos da ordem civil , a noção de direitos individuais e seus limites e deveres, estão sempre atreladas à experiência que o homem acumula em virtudes de determinados valores e idéias que são instituídas ao longo do tempo . E todas essas manifestações de visão moldam e guiam nosso comportamento. Enfim, um posicionamento ideológico que nos faça compreender o mundo.

Uma vez feitas tais considerações sobre os tópicos citados acima, é possível determinar qual a preferência ideológica do indivíduo, se é de direita, esquerda, liberal ou conservador. Porém, alguns paradigmas ideológicos sofreram modificações com o passar do tempo, mediante algumas experiências sociais, econômicas, políticas. Algumas  experiências deram certo , outras errado, enquanto outros paradigmas ainda permanecem, que diferenciam de forma cabal os diferentes rótulos existentes.

Por exemplo,  umas das principais características da direita é sua postura conservadora em relação aos valores morais, culturais e políticos. Sua desconfiança para com mudanças radicais ou repentinas se deve ao fato de que, nos passado, tais mudanças , muitas vezes inspiradas em um ideal revolucionário, falharam após terem sido implementadas. As revoluções socialistas do Século XX não se basearem no acúmulo de experiência do ser humano. Simplesmente assumiram que o homem é resultado de uma construção social que pode ser modificado, conforme se muda o código moral vigente em uma sociedade ou as suas instituições. Os adeptos do pensamento revolucionário cultivam a expectativa por um bem supostamente superior a tudo que o homem construiu ao longo de sua existência, e que qualquer sacrifício é necessário para  alcançá-lo. Se for necessário matar milhões de pessoas em nome da abolição da propriedade privada ( vista como um fator de desigualdade), pelo fim do capitalismo ou pela fim das diferenças sociais, os socialistas não vêem problema nisso. Pelo contrário, são  sacrifícios ”necessários” em nome da Revolução. Encarar a vida como o maior bem a ser preservado é algo muito pequeno se comparado a tudo aquilo que o Socialismo pode trazer à humanidade, de acordo com os adeptos da mentalidade revolucionária, ala mais radical da Esquerda.

Até então, os motivos da Direita para reagir de forma negativa às mudanças radicais podem ser relevantes e racionais dependendo do que a direita pretende conservar . No entanto , como a moral tende a sofrer mudanças paulatinas, é  provável que a direita não seja conservadora em relação a um mesmo aspecto durante gerações. Porém , existem radicais para tudo neste mundo. Muitos ainda se opõem  por exemplo, a união civil de homossexuais , alegando ser essa forma de associação algo ”anormal”, não levando em consideração a liberdade de duas pessoas se associarem voluntariamente. O filósofo Olavo de Carvalho defende esta tese , alegando que e tolerância da sociedade para com o casamento gay ameaçaria a família. Já o Luiz Felipe Pondé alega que as liberdades individuais não podem ser suprimidas em nome da tradição e do Estado, ainda que a tradição seja importante por estar munida de experiência humana. Ambos são conservadores, mas tem posições opostas ao tema do casamento gay.

Apenas no ponto de vista econômico quase todos os direitistas mantem-se liberais. Defendem ampla liberdade de mercado, baixos impostos e menos intervenção estatal. Já a direita liberal, que seria o meu caso, foca muito na defesa das liberdades individuais, em toda a sua extensão,  livre mercado, Estado que não se intrometa na vida das pessoas e nem nos seus costumes e credos.

http://www.youtube.com/watch?v=4Hll1Cwz1fY        (parte 4)

Nesta parte do debate, ambos discutem a necessidade de avanços sociais sob a perspectiva de ambas as posições.

Luiz Felipe Pondé, com seu apelo subversivo e politicamente incorreto, virou o terror dos comunistas e das feministas
Luiz Felipe Pondé, com seu apelo subversivo e politicamente incorreto, virou o terror dos comunistas e das feministas

   O grande problema é quando eu assumo a defesa destas bandeiras (liberal e econômica) . Tem sido uma constante debater com pessoas que querem traçar uma divisória entre direita e esquerda se baseando em critérios  que já estão defasados pelas experiências do passado. Se eu digo que tendo à esquerda, sou taxado de coletivista, stalinista, socialista e afins. Ou seja, meu interlocutor está utilizando um paradigma que já fora superado pela própria história, desconsiderando outras possibilidades de se traçar um caminho que consolide as bandeiras da esquerda. Se ser de esquerda consistisse em apenas viver em um país socialista, não existiria mais esquerda. Pois vivemos em uma economia capitalista, ainda que o mercado não seja amplamente livre em muitos países, incluindo o Brasil.  Logo, há a necessidade de renovação de idéias e de discurso. E adaptação dos paradigmas que definem tal posicionamento.

    Se eu digo que sou de direita, a patrulha ”politicamente correta” convoca o exército da censura para fiscalizar o que eu digo, com quem ando e se eu estou falando em meu nome ou em nome um ”interesse de classe”. Ou pior, necessariamente eu precisaria ser um entusiasta do Regime Militar (1964-1985), ou um fã devoto do Reinaldo Azevedo. Essa costuma ser a tática da esquerda em debates: atribuir ao interlocutor aquilo que necessariamente ele não defende. Os esquerdistas fazem tais ataques para  se sentirem moralmente superiores em relação ao resto do mundo. Enfim, esteriótipos é que não faltam quando o objetivo é desqualificar o outro lado, sempre fadado a exercer o papel de ”maligno”, reacionário e neoliberal. Vivemos a ditadura do pensamento único , na qual quem ousar formar uma opinião que contraria um determinado senso comum previamente estabelecido ( por exemplo, as bandeiras coletivistas da esquerda), estará fadado ao constrangimento público .

Os esteriótipos ideológicos só servem para desqualificar moralmente o opositor de uma determinada ideia, com o intuito de constrangê-lo,  com isso, esvaziando a debate político,  de forma que, as pessoas não são mais definidas pelas idéias que defendem e pelas correspondentes atitudes, e sim por rótulos. Estes que viciam palavras de ordem que fomentam preconceito e só tendem a satisfazer uma necessidade de auto-afirmação ideológica daqueles que não suportam críticas e militam, ao mesmo tempo , em instaurar uma hegemonia cultural de suas idéias.

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